3 de maio de 2008

SAÚDE – Remédios importados para quem precisa deles

Se você conhece alguém que precisa de remédios importados e tem dificuldades em obtê-los, essa é uma boa dica: no prédio da VARIG, no Aeroporto Santos Dumont, existe a facilidade de aquisição desses medicamentos.

A Fundação Rubem Berta, em parceria com a VARIG, presta um serviço humanitário na compra de medicamentos não fabricados no Brasil, sem qualquer ônus quanto aos serviços de compra e transporte, ficando a cargo do solicitante apenas o custo do medicamento.

O contato pode ser feito através do Setor de Medicamentos da VARIG, pelo telefone (011) 5091-2250. No Aeroporto de Congonhas, portaria 3, com Simone, do Medhelp também é possível esse contato. Para esclarecer qualquer dúvida à respeito também é possível através do site www.rubemberta.org.br/htdocs/medicinaexterior.html

Célia Borges

O mais antigo dicionário de português está disponível na internet


O mais antigo dicionário da língua portuguesa, o “Vocabulário Portuguez e Latino”, escrito pelo padre inglês radicado em Portugal Raphael Bluteau e publicado à partir de 1712, já está à disposição de pesquisadores e curiosos através da internet. O Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da Universidade de São Paulo, digitalizou e colocou gratuitamente à disposição dos internautas os mais de 40 mil verbetes da obra, composta por oito volumes e dois suplementos, sendo o último publicado em 1728.

A digitalização dessa obra faz parte do projeto do instituto, para facilitar a consulta de livros raros e de difícil acesso ao público em geral. A pesquisadora responsável pelo projeto, historiadora Márcia Moisés Ribeiro, esclarece que esse trabalho durou um ano e três meses, e foi realizado por quatro profissionais.

“Foi um grande trabalho. São aproximadamente 44 mil verbetes, que tivemos que listar para consultas on-line”, explica a historiadora. Segundo ela, por se tratar de uma obra muito antiga, todos os verbetes foram escritos tanto na forma antiga quanto na atual, com e sem acentos, para facilitar a consulta.

Por exemplo, a palavra assucar (como era escrita na forma antiga) está disponível também nas versões açúcar e açucar. “Se deixássemos apenas na forma antiga as palavras nunca seriam encontradas, porque as pessoas iriam procurar uma palavra que não conhecem”, explica Márcia Moisés Ribeiro.

O objetivo da digitalização, de acordo com a pesquisadora, é evitar o manuseio do dicionário, que é muito frágil e tem algumas folhas de trapo. Ao todo, são dez volumes de cerca de mil páginas cada um, sendo que todas tiveram que ser fotografadas, em vez de escaneadas. “O dicionário é muito frágil e não pudemos coloca-lo num scaner porque a luz poderia danificar as páginas. Além disso, há todo o problema do manuseio. E nosso principal objetivo é preservar um documento raro.

Este é o segundo dicionário raro digitalizado pelo IEB. O primeiro foi “Medicina Popular”, que também está disponível no site do Instituto. Segundo Márcia, esse primeiro dicionário foi digitalizado como teste, já que era bem mais simples e com apenas dois volumes. Outros cerca de 120 livros raros e manuscritos está digitalizados na íntegra e disponíveis no site.

O IEB continua trabalhando para oferecer novos dicionários raros para consulta, todos relacionados à língua ou à cultura portuguesa. A digitalização do “Vocabulário Portuguez e Latino” contou com ajuda financeira da Biblioteca Guita e do famoso colecionador e bibliográfo José Mindlin. “A idéia do projeto não é a de ganhar dinheiro, e a parceria do IEB com José Mindlin foi feita com a intenção de facilitar o acesso do público a obras raras, de grande utilidade e difícil acesso”, conclui a historiadora. O endereço para consulta é: www.ieb.usp.br/online/

Célia Borges

1 de maio de 2008

PAISAGISMO E JARDINAGEM X – A importância de planejar, antes de plantar


Os serviços do paisagista são muito importantes para o desenvolvimento de projetos de jardins e áreas verdes, pois esse profissional reúne todos os conhecimentos técnicos indispensáveis para o sucesso do empreendimento. É importante observar também que os custos de um projeto de paisagismo não são tão dispendiosos com a maioria das pessoas julga, sendo proporcional ao tamanho da área a ser trabalhada.

Entretanto, mesmo sem recorrer a serviços profissionais, um jardineiro curioso e dedicado pode obter bons resultados em jardins, principalmente se a área a ser trabalhada não for muito grande. Basta para isso levar em consideração alguns fatores relevantes para a escolha e disposição das plantas, como o porte e a expectativa de crescimento das espécies escolhidas, a distância entre as mudas, o clima do local e as condições de insolação, umidade e ventos, entre outros.

A primeira providência para se fazer um “projetinho caseiro” é medir, com uma trena, a área a ser trabalhada. Pra quem dispõe de uma planta baixa do local, definindo os espaços externos, é meio caminho. Se não houver nada plantado, nem mobiliários ou outros elementos, é bem fácil projetar o conjunto, esbanjando criatividade. Se já houver elementos presentes, como limites de canteiros, bancos, árvores, cercas ou muretas internas, é preciso localizar cada um desses detalhes, e proceder à medição, de forma que todos sejam considerados.

Trabalhar sobre uma folha de papel milimetrado – aquele cheio de quadradinhos – é de grande ajuda para facilitar o planejamento. O paisagista usa uma régua de proporções apropriada, chamada escalímetro, mas não dispondo do conhecimento necessário para seu uso, você pode estabelecer, em função do tamanho da área, proporções de um, dois, três, quatro, ou quantos quadradinhos forem necessários para projetar cada metro. Usando uma régua comum, faça o traçado da área, e a seguir, sobre essa mapa, desenhe à sua maneira os elementos já existentes, para poder trabalhar no espaço que ficar disponível.

Ao preencher esse espaço, no projeto, considere, não o tamanho da muda, mas a expectativa de crescimento. Árvores de grande porte exigem áreas com diâmetros de quatro, seis metros, ou até mais. A maioria das frutíferas médias, como goiabeiras, amoreiras, jabuticabeiras e outras podem ficar no diâmetro de quatro metros para menos. Arbustos médios devem ser projetados entre três e dois metros de diâmetro, arbustos pequenos, na faixa de dois metros. Se quiser plantar canteiros sob o espaço das árvores, escolha plantas de meia sombra, pois com o crescimento das árvores e arbustos, elas ficaram cobertas pelos galhos e folhagens da planta maior.

Verifique também à posição do sol sobre o terreno, de forma a não desperdiçar plantas de sol pleno em locais que fiquem sombreados a maior parte do dia, ou vice-versa. Há plantas que suportam ventos, outras que não sobrevivem nessas condições, então é importante verificar a existência de paredes e muros que exerçam a proteção necessária para sua sobrevivência. O sol e o vento influenciam na umidade do ambiente, pois determinam a evaporação no local. Plantas que gostam de umidade devem ser protegidas dessas condições.

Ao escolher as espécies indicadas para o seu projeto de jardim, é indispensável considerar todas essas circunstâncias, caso contrário o jardineiro corre o risco de ver perdidos todos os seus esforços. Plantar duas mudas de árvores grandes sem observar a necessidade de espaçamento entre elas, pode obrigar a no futuro, que uma das duas tenha que ser sacrificada, para garantir o crescimento da outra.

A combinação de cores, no caso do plantio de espécies floridas, e a altura das plantas, com a colocação das mais altas no fundo e as mais baixas na frente, podem ser decisivas para você obter jardins e canteiros mais atraentes. Estudar o assunto, observando jardins que lhe agradam, ou pesquisando em revistas e livros sobre o assunto, sempre pode ser de grande ajuda. Alguns conhecimentos sobre o assunto, bom gosto e inspiração são caminhos seguros para se conceber um jardim de sonhos.

Célia Borges

“Flor de mãe” de Wendell Amorim, começa dia 9 na Câmara Municipal

O artista plástico Wendell Amorim expõe o seu trabalho “Flor de Mãe”, em homenagem ao Dia das Mães, à partir do próximo dia 9 na Câmara Municipal de Resende. A abertura da exposição está prevista para às 19 horas, no Espaço Cultural Getúlio Vargas, no Anexo da Câmara Municipal (Avenida Marechal. Castelo Branco, 104, 3° andar, Campos Elíseos). A mostra ficará aberta de 12 a 30 de maio, de segunda à sexta-feira, das 13h às 17h. Visitas escolares podem ser agendadas pelos telefones 3354-2873/3354-0335/3354-6507.

O tema da exposição é o universo feminino, com destaque para a maternidade. “Flor de Mãe” conta com 16 telas do artista, lançando mão da reutilização de materiais, com destaque para a madeira, por meio de uma técnica chamada por ele de “mosaicolagem”.

“O que viraria lenha ou lixo é reaproveitado na confecção dos quadros”, explica Wendell. Influenciado por Cézanne e Picasso - mestres do Cubismo-, o artista afirma que busca inspiração na natureza. “Meu objetivo é mostrar um caminho alternativo para a sociedade contemporânea, que transforma tudo em lixo em função do consumo, levando à degradação do meio ambiente e reproduzindo a desigualdade social”, explica.

Wendell é autodidata, e já teve um dos seus quadros premiado no Salão da Primavera de 2002. Na ocasião recebeu o Prêmio Eitel César Fernandes, concedido pela Câmara Municipal de Resende. A mostra faz parte do programa Câmara Cultural, com 5 anos de existência, que oferece programação gratuita e variada à população, com exposições de arte, exibição de filmes, apresentação de peças teatrais, saraus de poesia e leituras dramatizadas.

29 de abril de 2008

PAISAGISMO E JARDINAGEM IX – Homenagem à Margaret Mee, a Dama das Orquídeas


O trabalho de jornalista nos leva, frequentemente, à situações surpreendentes e inesperadas. Algumas dessas circunstâncias conseguem mudar nossa vida, nossa visão do mundo, nossas áreas de interesse. Para mim, um desses momentos mágicos aconteceu quando tive a sorte e o privilégio de conhecer Margaret Mee. Essa mulher extraordinária, de pouco mais de um metro e meio de altura, conseguiu despertar o meu interesse pela botânica, a minha paixão pelas orquídeas, e como um desdobramento natural, minha dedicação à jardinagem e ao paisagismo.

Nosso primeiro encontro ocorreu em 1973, pouco depois de eu ter completado 22 anos. Apesar de três anos de militância na imprensa, e de já ter meu registro profissional, me considerava ainda uma principiante. Minhas áreas de atuação era, prioritariamente, esporte, educação e cultura. Sempre fui encantada com plantas e flores, mas não sabia nada à respeito, a não ser lembrar dos esforços da minha avó Mariquinha, nos canteiros de sua casa. Parti para a entrevista completamente insegura.

A motivação para a matéria era a exposição de seus trabalhos, inaugurada no dia 3 de outubro, e que ficou três semanas na Moorland Gallery, em Cork Stret, Londres. Os cerca de 30 desenhos expostos eram fruto de suas viagens à Amazonia realizadas desde 1968, sendo que alguns já haviam sido publicados pela Tryon Gallery, também de Londres, no livro “Flowers of the Brazilian Forrest”. Fiquei surpresa ao descobrir que ela já preparava um novo livro sobre o assunto. Poucas pessoas no país, naquela época, conheciam seu trabalho.

Margaret Mee era uma exploradora britânica – e botânica – da Amazônia, que já naquela época havia descoberto oito espécies desconhecidas de plantas silvestres. Aos 64 anos, já havia feito sete viagens de canoa pelo interior daquela região, coletando plantas. Ardente conservacionista, ela se preocupava em preservar as raízes das plantas coletas, para garantir nova brotação.

Depois registrava a planta em aquarelas, reproduzindo todos os seus detalhes, oferecendo em seguida os exemplares ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que em sua homenagem deu o nome de Aechmea Meeana a uma bromeliácia da família dos abacaxis, descoberta por ela em 1971, nas terras pantanosas da Amazônia.

Nascida em Chesham, no condado de Buckingham, Inglaterra meridional, estudou em Londres na St. Martin’s School of Art, na Central Schol of Art anda Design e na Camberwell Scholl of Art, onde foi aluna de Victor Passmore, famoso artista britânico. Em 1952 veio para o Brasil em companhia do marido, o artista Greville Mee, e deu aulas de arte durante cinco anos na escola britânica de São Paulo. Fez, nesse período, inúmeras exposições entre São Paulo e Rio de Janeiro, e também nos Estados Unidos, no Smithsonian Institute of Washington.

Nessa primeira entrevista, que deveria ter durado uma ou duas horas, mas se prolongou até as tantas da noite, aprendi muitas coisas com ela. E ouvi histórias emocionantes, de como ela já havia escapado inúmeras vezes de onças, tarântulas e piranhas, no meio da mata, e em companhia apenas de um guia.

Uma das que mais me impressionou, e que nunca mais esqueci, foi do momento em que, precisando retornar ao ponto de contato, antes da cheia do rio, encontrou uma enorme cobra enrolada em sua rede de dormir, equipamento imprescindível na seqüência da viagem, e precisou que esperar que a cobra espontaneamente deixasse o lugar, embora correndo o risco de ficar isolada em situação de extremo risco. Levava sempre um revolver como medida de segurança, mas se orgulhava de nunca ter precisado usa-lo.

Ela me cativou em todos os sentidos, e nos anos seguintes procurei estar sempre atenta e sintonizada com seu trabalho. Tivemos mais uma entrevista, em anos seguintes, na volta de mais uma das suas viagens. Apesar da baixa estatura, da aparência frágil, e tendo como agravante uma certa dificuldade de locomoção em conseqüência de uma cirurgia na bacia, Mrs. Mee fez ainda muitas viagens à Amazônia nos anos seguintes, produzindo uma obra memorável.

Amiga de Burle Marx, se esmerava em dividir com ele seus achados. No momento em que a conheci, preparava-se para a oitava viagem à Amazônia, em junho de 1974, onde explorou o rio Nhamundá, em busca de espécies raras de orquídeas e clusias. Realizou ainda muitas, depois disso, deixando um patrimônio artístico e botânico admirável, que pode ser conhecido através dos seus diversos livros publicados e da instituição que leva seu nome, Fundação Margaret Mee. Também existem duas comunidades no Orkut em sua homenagem, uma criada por mim, Eu Amo Margart Mee, e outra por um grande amigo, Pajeh Índio do Bem, sob o título A Dama das Orquídeas.

Célia Borges