18 de fevereiro de 2010

AGENDA CULTURAL – Exposição “O Papel das Vilas” chega dia 24 ao MAM/Resende



A exposição “O Papel das Vilas”, que ficou em cartaz no Centro Cultural Visconde de Mauá no período de férias, chega no próximo dia 24 de fevereiro, quarta-feira, ao Museu de Arte Moderna de Resende. As obras da exposição são trabalhos de artistas da região sobre papel botânico reciclado, produzido pela MR Papel – Papelaria Artesanal.
A abertura da exposição no MAM está marcada para às 19 horas, e terá a apresentação especial do Duo Contraponto, formado por Roberto Granja e Marcelo Bezerra. Segundo Maurício Rosa, que promove a exposição em parceria com o Centro Cultural Visconde de Mauá, 2010 é o ano da biodiversidade, e marca a comemoração dos 30 anos da produção de papel artesanal no Brasil.
“O Papel das Vilas” também está registrado em vídeo: no último dia 18, Fernando Fleury e Zé Tavares, fundadores da TV Maringá, filmaram a mostra ainda no Centro Cultural Visconde de Mauá, divulgando o movimento artístico do projeto, impressões de visitantes sobre a exposição, as obras e técnicas utilizadas.
Com essa exposição, segundo a diretora do Centro Cultural, Márcia Patrocínio, está sendo selada uma nova parceria com o MAM Resende, que está completando 60 anos, com o apoio da diretora desta instituição, Vanda Perantoni Schimid. Na foto, a obra Os Dons da Natureza, de Luisa Ramagem.
Célia Borges

8 de fevereiro de 2010

AOS CEM ANOS, NÚCLEO COLONIAL DO ITATIAIA LUTA NA JUSTIÇA PARA NÃO SER EXTINTO




O Núcleo Colonial de Itatiaia completou cem anos em dezembro de 2008. Criado em 1908 pelo Governo Federal, teve seus lotes vendidos à imigrantes europeus, incentivados a virem para o Brasil com a finalidade de colonização da área. Nesses 100 anos, seus moradores tiveram grande influência na formação social e cultural da região, contribuindo para a recuperação e preservação do meio ambiente, e para o desenvolvimento do turismo, como importante atividade econômica.
Agora, o centenário Núcleo Colonial está tendo que reivindicar seus direitos na Justiça: uma Ação Civil Coletiva deu entrada na Justiça Federal de Resende em janeiro, proposta pela Associação dos Amigos do Itatiaia, a AAI, contestando o programa de monitoria que vem sendo imposto pelo Instituto Chico Mendes. Além de dificultar o livre trânsito dos moradores, o programa propõe a desapropriação da área, sem levar em consideração seus aspectos históricos, culturais, sociais e econômicos.
O Parque Nacional do Itatiaia foi criado em 1937, e de acordo com a legislação, deixou de fora as terras do Núcleo Colonial. Um decreto de 1982, entretanto, ampliou a área do Parque, incluindo o núcleo, sem apresentar justificativas técnicas para isso. Os termos desse decreto, entretanto, nunca foram postos em prática, e segundo o advogado da AAI, Dr. Antonio Sebastião de Lima, e ele perdeu a validade por decurso de prazo.
Em 2007 o Ministério do Meio Ambiente, através do Instituto Chico Mendes, apresentou um programa de monitoria para o Parque Nacional, baseando-se no decreto de 1982, e anunciando, entre outras medidas, a desapropriação das terras do Núcleo. O programa prevê um projeto ambicioso, com dispêndio de grandes recursos, mas só se refere à parte baixa, onde está localizado o Núcleo, que representa menos de 2% da área total do Parque.
Entre os itens do programa está a instalação de uma universidade, com trânsito diário de 1.500 estudantes. Os moradores questionam os objetivos ambientalistas do programa, já que a maior parte do Parque, mais de 28 mil hectares, onde são abundantes as áreas de mata nativa, não está sendo contemplada com projetos e recursos que atendam às suas necessidades de preservação.
A ação da AAI pede não apenas a anulação do decreto de 1982, como antecipação de tutela, para garantir aos moradores alguns direitos básicos, já que “portarias” baixadas pela direção do Parque dificultam o direito de ir e vir dos moradores, clientes de hotéis e restaurantes, e trabalhadores, criando problemas inclusive para o recolhimento do lixo, a manutenção da rede elétrica, e até entrada de materiais de construção para manutenção dos imóveis.
Também estão sendo reivindicadas a devolução do acervo e reativação do Museu da Fauna e da Flora, a reclassificação da área do Núcleo para Monumento Natural – de forma a proteger o meio ambiente mas garantir a propriedade dos moradores – e até o cumprimento, pela direção do Parque, de suas responsabilidades na manutenção da reserva, como a recuperação das trilhas e estradas, que se encontram em estado de abandono.
Célia Borges

4 de fevereiro de 2010

IMAGENS DE ITATIAIA – Missa e canto lírico pela Capela de N.S. dos Passos nesse sábado



Diante da interdição do prédio centenário, pela Defesa Civil, sob o argumento de ameaça de desabamento, a comissão que vêm trabalhando pela preservação e restauração da Capela de Nosso Senhor dos Passos, em Itatiaia, programou, com o apoio do Padre Paulo Solak, uma cerimônia religiosa e cultural na Igreja Matriz de São José, nesse sábado, dia 6 de fevereiro, à partir das 19 horas.
A programação será iniciada com a Missa, para qual estão convidas não apenas as lideranças comunitárias que atuam na defesa da capela, como toda a comunidade do município de Itatiaia. Em seguida, haverá um recital lírico, pela cantora Líria Cravo, de 25 anos, que estudou em São Paulo e foi selecionada para um curso em Milão, para onde estará indo no final desse ano. Apaixonada por sua arte, Líria diz que “a música desperta sentimentos profundos”, importantes para serem compartilhados com o público.
Célia Borges

28 de janeiro de 2010

ALDEIA GLOBAL – É preciso reinventar o Judiciário brasileiro



Em entrevista publicada pelo jornal O Globo do dia 3 de janeiro desse ano, sob o título “O Judiciário precisa ser reiventado”, o ministro do STF Joaquim Barbosa declara que “juízes tem responsabilidade pelo aumento da corrupção” no país. O assunto não obteve a repercussão que merecia, em parte diante das tragédias ocorridas na passagem do ano, em Angra e na Ilha Grande, e nos dias seguintes, em diversos pontos de outros estados. Poucos devem ter se dado conta disso, mas tratam-se das duas faces da mesma moeda. Quantos problemas poderiam ser evitados, se dispuséssemos de uma Justiça ágil e competente?
As inquietações do ministro Joaquim Barbosa com relação à ética no Judiciário são relevantes, como mostrou o noticiário dos últimos dias, passadas apenas algumas semanas da entrevista, nos dando conta que o Conselho Nacional de Justiça afastou o Corregedor-geral do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Roberto Wider, por diversas suspeitas, entre as quais a formação de quadrilha e venda de sentenças. Venda de sentenças? Quer dizer que as leis perderam seu significado, e que a Justiça é só um produto ao alcance de quem paga mais?
Qualquer pessoa razoavelmente informada, sabe que isso acontece. A maioria, desinformada, não se sabe. Entre os que sabem, só uma minoria se manifesta. Os demais acham que não têm nada com isso, e enquanto omissos também são cúmplices dessa situação. É bom lembrar que ninguém está livre de, um dia desses, a injustiça bater à sua porta. Muito poucos têm a coragem de se expor, e protestar, denunciar, exigir mudanças. E me devolve um pingo de esperança que, entre os que se manifestam, esteja um ministro do STF.
Entre outras declarações, o ministro Joaquim Barbosa diz que “a impunidade é hoje um problema crucial no país. A impunidade no Brasil é planejada, é deliberada. As instituições concebidas para combatê-la são organizadas de forma que elas sejam impotentes, ineficazes na prática de ter uma ação eficaz”. Ele diz ainda “A Polícia e o Ministério Público, não obstante as suas manifestas deficiências e seus erros e defeitos pontuais, cumprem razoavelmente o seu papel. Porém, o Poder Judiciário tem uma grande parcela de responsabilidade pelo aumento das práticas de corrupção em nosso país”.
“A generalizada sensação de impunidade verificada hoje no Brasil decorre em grande parte de fatores estruturais, mas é também reforçada pela atuação do Poder Judiciário, das suas práticas arcaicas, das suas interpretações lenientes e muitas vezes cúmplices para com atos de corrupção, e sobretudo, com a sua falta de transparência no processo de tomadas de decisões”. Enfim, falou a autoridade, e eu não conseguiria dizer melhor.
Vale acrescentar que, mais que a impunidade propriamente, a certeza da impunidade é a principal cúmplice da delinqüência, da criminalidade, do abuso de poder e da arrogância dos poderosos. Uma Justiça lenta e complicada já garante que um minoria de réus seja penalizada. E as condenações decrescem, na medida do poder econômico dos acusados. O caso do afastamento do desembargador Roberto Wider da Corregedoria-geral do TJ-RJ é uma raridade, diante da quantidade questões que envolvem membros do Judiciário, e que por conta de um injustificável corporativismo, perdem-se no tempo, sem apuração ou condenação.
Juizes, em qualquer país do dito “primeiro mundo”, precisam ser pessoas acima de qualquer suspeita. Ministros de tribunais superiores deveriam ser eleitos por mérito e competência, e não por decisões políticas, como ocorre entre nós. Não é à toa que os criminosos dos filmes estrangeiros fogem para o Brasil. Nosso país se transformou em sinônimo de impunidade. Nosso Judiciário vivou piada, e piada de mau gosto. Se você acha que tudo bem, continue calado ou calada. Por que eu, mesmo correndo o risco de continuar falando ou escrevendo sozinha, não vou perder a oportunidade de fazer o meu protesto, e engrossar a corrente da qual, para minha admiração, o ministro Joaquim Barbosa passou a fazer parte. Eu sou cidadã, mereço respeito. E quero, no meu país, uma Justiça que mereça esse nome.
Célia Borges

24 de janeiro de 2010

PAISAGISMO E JARDINAGEM – Receitas naturais contra nematóides e outras pragas de plantas



Você compra ou ganha uma bela planta. Cuida dela com o maior carinho. Mas aí, depois de algum tempo, começa a perceber que ela não está correspondendo mais aos seus cuidados. As flores não brotam, e as folhas começam a murchar ou amarelar. E isso, sem motivo aparente. Então, é hora de você observar as raízes, e verificar se a sua planta não está infestada por nematóides, uma variada família de micro-organismos, sendo alguns perigosos parasitas.
Os nematóides são organismos aquáticos, geralmente microscópicos, e que se encontram em grande quantidade na natureza. A maioria alimenta-se de bactérias, fungos, protozoários, algas, e outros nematóides, e apenas uma minoria tem efeito predatório sobre animais – inclusive o homem – e vegetais. Desses últimos, há pelo menos cinco tipos que afetam as raízes das plantas de jardim, e que precisam ser combatidos, para evitar uma infestação generalizada.
Existem algumas providências que podem ser importantes para evitar nematóides em suas plantas. A primeira delas é observar a qualidade da terra adubada, compostos orgânicos e substratos adquiridos em floriculturas, para se certificar de que não estão contaminados. Já aconteceu comigo, de adquirir produtos impróprios. Antes de aplicar sobre as plantas, é indicado colocar uma pá do produto sobre papel branco, e deixar por alguns minutos, para ver se há minhoquinhas ou ovos brancos, reflexos prateados ou outros micro-organismos em movimento. Em caso positivo, descarte o material.
Mas, mais importante que isso, é você manter suas plantas nas condições adequadas. Plantas saudáveis são menos sujeitas á parasitas, e no caso dos nematóides, essa atenção é indispensável. Excesso de umidade é ambiente propício a nematóides. As plantas de meia sombra, que são frequentemente afetadas, precisam de um mínimo de claridade (três horas por dia é o ideal) e um ambiente arejado, que proporcione a evaporação das regas e evite o acúmulo de água nas raízes. Além dos nematóides, a umidade excessiva pode apodrece-las.
Se a infestação por nematóides for detectada logo no início, uma boa adubação pode resolver o problema. Numa segunda etapa, replantar o espécime, depois de lavar bem raízes e caule, em terra rica, pode salva-lo. Em situações extremas, existem ainda duas soluções naturais: a primeira é a raiz da madioca – crua e sem casca, deve ser lavada e a água usada na rega da planta infestada – e a segunda, a plantação de cravos de defunto, pelo menos uma planta por metro quadrado, nos canteiros ou plantações infestadas.
Durante a pesquisa sobre nematóides, encontrei soluções naturais para outros tipos de problemas das plantas de jardim. Não tive oportunidade de verificar a eficiência de todas, mas as informações vêm de fontes confiáveis, como o programa Globo Rural e a Revista Natureza. Por isso, sigo partilhando-as com meus leitores:
FORMIGAS – 1) Descascar pepinos, e colocar as cascas na entrada de formigueiros; 2) Usar folhas de Agave (Agave americana l. e Agave atrovirens) macerando três folhas para cada meio litro de água, e despejando na entrada do formigueiro.
LAGARTAS – Fumo e pimenta malagueta: numa garrafa de um litro, misture 50g de fumo de rolo e uma dúzia de pimentas malagueta. Complete com água e deixe repousar por uma semana. Dilua em dez litros d´água e pulverize sobre as plantas infestadas.
LESMAS – Cal, cinza de madeira, leite ou cerveja: para controle, distribua à noite, ao redor das plantas e canteiros, uma faixa de 15cm de pó de cal virgem ou cinzas de madeira. Use também iscas de pão embebido em leite ou cerveja, e coloque nos pés das plantas que precisam de proteção. As lesmas virão até as iscas, e será fácil retirá-las.
COCHONILHAS – 1) Faça uma calda com sabão, fumo de rolo e óleo vegetal em partes iguais, dilua e pulverize; 2) 50gr de sabão neutro raspado em cinco litros de água quente, esfrie, coe e pulverize; 3) Semente de mostarda: moa 100 gramas e dilua o pó em um litro d´água, coe e pulverize; 4) Pimenta (Capsicum annuum) é repelente de cochonilhas, pulgões e insetos em geral: coloque pimentas numa vasilha, soque-as e cubra com água de um dia para o outro. Coe e pulverize.
PULGÕES – 1)Alho (allium sativum) pode ser utilizado contra pulgões, brocas, cochonilhas e ácaros. Plantado entre roseiras, reduz o ataque de pulgões. Para uso geral, bata o alho no liquidificador, um dente para cada dois litros d´água, coe e pulverize sobre as plantas. Não usar em plantações de feijão, pois inibe o crescimento; 2) Arruda: ferva folhas durante cinco minutos, deixe esfriar, dilua e pulverize.
Se você conhece alguma receita natural para combate ás pragas de plantas e outras finalidades, por favor, partilhe conosco. Nós ficaremos gratos, e a Natureza também. Saudações botânicas e aguardem novas receitas.
Célia Borges