26 de maio de 2011

BIODINÁMICA - Workshop com Ebba Boysesen e novas turmas em Resende




A psicoterapeuta norueguesa Ebba Boyesen, filha de Gerda Boyesen e cofundadora da Psicologia Biodinâmica, encontra-se em São Paulo para realizar workshop sobre o tema nos dois próximos fins de semana, 28 e 29 de maio, e 4 e 5 de junho. Radicada em Londres, e responsável pela formação de psicoterapeutas nessa abordagem desde 1971, Ebba aprofundou a raiz reichiana da Psicologia Biodinâmica, e mostrará os desdobramentos de seu percurso nesse campo.
O primeiro encontro, nesse próximo fim de semana, terá o tema “Análise Segmentar e o Mapa Corporal Emocional, onde partindo da visão reichiana relativa à disposição segmentar da couraça muscular do caráter, ela desenvolve uma proposta inovadora de Vegetoterapia, na qual propõe uma nova divisão dos segmentos e inclui o toque como parte do processo. Tem como objetivo restabelecer o fluxo energético e a autorregulação do organismo. Neste trabalho articula o pensamento de Wilhelm Reich, Gerda Boyesen (sua mãe), Frederico Navarro e Stanley Keleman.
No seguinte, 4 e 5 de junho, o tema será a Psicoenergética, onde, om base na Orgonomia de Wilhelm Reich, Ebba aborda a angústia do prazer, o desbloqueio do reflexo orgástico e aspectos do manejo da agressão frustrada, no sentido de canalizá-la para uma ação criativa. O local é Rua Fidalga 521, Vila Madalena, SP.

NOVAS TURMAS EM RESENDE
Com as atividades iniciadas em meados de março passado, o Grupo de Movimento Biodinâmico, em Resende já está rendendo frutos, e novas turmas já começam a ser formadas. O trabalho é coordenado pela psicóloga Líliam Motta, em formação na especialidade pelo Instituto Brasileiro de Biodinâmica.
Os interessados podem obter maiores informações, e inscrever-se, com a própria Liliam Motta, pelo telefone (024) 9251-8442. Ela esclarece que a atividade utiliza várias técnicas de psicoterapias corporais, aliando a dança ao teatro, eutonia, fisioterapia e ioga, entre outras.

13 de março de 2011

ALDEIA GLOBAL - Malu Santa Rita (02/10/1946 – 10/03/2011)

Uma das minhas melhores amigas partiu. E o melhor que posso fazer no momento é escrever sobre ela, enquanto me lembro dos bons momentos que partilhamos nesse nosso encontro tão transitório que é a vida. Tinhamos muito em comum, e também muitas diferenças. O que mais me lembro é do quanto nos divertíamos uma com a outra, o quanto ríamos por conta de um senso de humor que acreditávamos ser peculiar das mulheres librianas... e por tantas outras afinidades que nos faziam ser “irmãzinhas”, “bruxinhas”, e assim partilhar tanto alegrias, quanto tristezas e preocupações. E me lembrar de quantas vezes oferecemos os ombros, uma à outra, e de quanto levamos à sério e honramos aquele que é o mais puro e nobre dos relacionamentos, a amizade.
Poderia escrever um livro sobre as experiências que partilhamos entre 1985, quando nos conhecemos, até 1995, quando por conta de ter ido morar no Rio, passamos a permanecer menos próximas. Nossos em encontros eventuais sempre foram a celebração do prazer dessa amizade, e mesmo quando não concordávamos em alguma coisa, sempre lidamos com essas diferenças com a delicadeza típica das librianas, essa espécie de linguagem mágica que transformou nossos momentos de convivência, quando não de alegria e prazer, pelo menos de saudáveis desafios. Com infinita saudade, segue o que me lembro sobre ela:
Dinâmica, empreendedora, voluntariosa. É assim que a maioria das pessoas que a conheceram, vai se lembrar da empresária Malu Santa Rita, falecida nesta quinta-feira, 10 de março de 2011. Proprietária do Hotel da Cachoeira, construído e fundado por ela em 1976, foi também uma das principais idealizadoras da Associação de Hoteleiros e Similares do Penedo, criada no início da década de 1980, e que ela presidiu por mais de dez anos. Sob sua liderança, até meados dos anos 90, o turismo em Penedo ganhou projeção nacional, com a divulgação da Colônia Finlandesa e a criação do Festival de Trutas, entre outras iniciativas. Para garantir esse espaço, ela fez parte das diretorias de diversas entidades estaduais e nacionais ligadas ao turismo, como TurisRio e ABIH, levando o nome de Penedo à feiras, congressos e exposições turísticas em todo o país.
Maria Lúcia Nogueira Santa Rita, nasceu na cidade de Santos-SP, no dia 2 de outubro, há 64 anos. Comunicação, arte e moda foram seus interesses, até que veio à Penedo como turista, no início da década de 70, e hospedada no Hotel Daniela, ficou tão encantada com o lugar que em pouco tempo adquiriu o terreno vizinho àquele hotel, construindo o seu próprio, o Hotel Cachoeira, que está completando 36 anos. Casada na época com o jornalista Chico Santa Rita, com fácil acesso aos meios de comunicação, Malu viu em Penedo um filão turístico com grandes possibilidades de sucesso, e que valia à pena explorar. Mas sua visão empresarial lhe mostrava que era preciso trabalhar em conjunto, e assim ela passou a se mobilizar pela criação de uma entidade representativa, a Associação dos Hoteleiros e Similares do Penedo, que veio dar um aspecto formal às diversas ações visando o crescimento turístico local.
Naquela época, início dos anos 80, havia uma peculiaridade em Penedo, que era de serem mulheres a maioria do empresariado - tanto nos hotéis, quanto em restaurantes e lojas de artesanato - o que resultou numa diretoria da associação quase exclusivamente feminina. Unidas em torno de diversos projetos, sempre presentes às reuniões, esse grupo ficou conhecido como o “matriarcado do Penedo”, e que conciliando fortes laços de amizade com as necessidades das suas atividades profissionais, conseguiram promover eventos, e criar momentos inesquecíveis, na história cultural e social desse recanto encantador.
Após a emancipação de Itatiaia, em 1989, Malu Santa Rita teve papel relevante na organização do setor no novo município, empenhando-se pela criação do Conselho Municipal de Turismo, do qual fez parte. Amiga pessoal do prefeito Luis Carlos de Aquino, e uma das idealizadoras do Parque Temático Casa do Papai Noel, trabalhou incansavelmente pela desapropriação do terreno, que acabou tendo que ser comprado por um grupo, e pela implantação do empreendimento, do qual acabou se afastando, juntamente com um grupo de sócios originais, para dedicar-se prioritariamente ao seu próprio negócio. Além do hotel, ela administrava nessa época também um novo empreendimento, a agencia de turismo CachoeiraTour. E estudava e trabalhava para especializar-se em turismo de negócios, visando a atender às novas empresas que chegavam à região.
Seus esforços em busca do sucesso do Penedo, e sua maneira de ser, voluntariosa, nem sempre foram bem compreendidos, e após uma seqüencia de decepções pessoais e profissionais, Malu radicou-se em São José dos Campos, SP, há cerca de cinco anos. Há pouco mais de um ano foi diagnosticada como portadora de um hepatocarcinoma (câncer de fígado) tendo se submetido à quimioterapia, além de outros tratamentos. Apesar da doença, mantinha-se corajosa e só aparentando-a pela excessiva magreza. Decidida e independente, nos últimos dias optou por fazer uma dieta hídrica, na tentativa de reduzir um inchaço na barriga, e também a ocorrência de enjôo e vômitos. Seu quadro, entretanto, piorou, tendo sido hospitalizada no dia 7, e preferindo voltar para casa, e no dia 8, quando ficou inconsciente, situação que não se reverteu até seu falecimento, nesse dia 10 de março.
A última visita de Malu à Penedo foi no feriado de 12 de outubro de ano passado, sendo que depois dessa data não conseguiu mais suportar a viagem. Antes ela vinha regularmente, e mesmo de São Paulo ela se mantinha na administração do hotel, que vinha tentando vender. Seu último contato com o hotel foi no dia 6 de março, quando resolveu questões administrativas com seus assessores. Destemida como sempre, e disposta a enfrentar a doença, no dia 4 de março ainda foi ao supermercado com a empregada. Nos contatos com os amigos, sempre se mostrava disposta, e falando dos seus próximos compromissos. A mulher bela e inteligente que conhecemos, partiu altiva e corajosa, como sempre.
Célia Borges

ALDEIA GLOBAL – Psicologia Biodinâmica ganha espaço em Resende



A Psicologia Biodinâmica, que se propõe a ser uma visão do mundo em que o corpo e a mente são elementos de um mesmo organismo, começa a ganhar espaço em Resende, com o início das atividades do Grupo de Movimento Biodinâmico, neste mês de março. Realizado em grupo, como o nome indica, esse trabalho tem o objetivo de aprofundar a percepção de si mesmo e do mundo, aumentar a vitalidade, o bem estar, e resgatar a capacidade de expressão criativa, pela desinibição e através do desbloqueio emocional.
O Grupo de Movimento Biodinâmico, em Resende, está sendo coordenado pela psicóloga Liliam Mota, em formação na especialidade pelo Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica. Para informações e inscrições, ela pode ser acionada pelo telefone (024) 9251-8442. Liliam esclarece que são utilizadas técnicas variadas de psicoterapias corporais, como dança, teatro, eutonia, fisioterapia e ioga, entre outras.
Segundo ela, “ao assimilar informações sobre si e sobre o outro, formam-se novos hábitos, expande-se a consciência e recuperam-se capacidades. O trabalho com Movimento significa ir à busca – interiorizar, conectar, constatar e expressar, dando direção. Através do desbloqueio das tensões, ativa-se a pulsação do organismo, amplia-se o fluxo e o equilíbrio energético. O resultado é um aumento da assertividade, desbloqueio emocional, redução do estresse e realização do potencial de prazer e alegria de viver.”
O CORPO RESPIRA, PULSA, CRESCE, AMA, SOFRE, DESEJA, PENSA E AGE
A Psicologia Biodinâmica tem como princípio a singularidade de cada ser humano, buscando incentivar sua criatividade, potência e espontaneidade, de forma efetiva, tolerante e não-invasiva. Enfatiza o amor, o prazer, o conhecimento, o trabalho e a espiritualidade como fundamentos para uma existência plena. A Psicoterapia Biodinâmica é sua aplicação prática, e se propõe a perceber cada pessoa como única, propiciando uma intervenção de acordo com suas necessidades e possibilidades, e que lhe permita conscientizar o que é inconsciente, em um processo gradual e profundo.
Surgida na década de 1960, em Londres, quando teve suas bases teóricas e técnicas formuladas pela psicóloga e psicoterapeuta norueguesa Gerda Boyesen, a Psicologia Biodinâmica vem influenciando um grande número de profissionais em vários países do mundo desde então. Radicadas em Londres desde 1969, Ebba e Mona Lisa, filhas de Gerda, passaram a trabalhar como psicoterapeutas biodinâmicas, e auxiliaram a mãe a desenvolver seus fundamentos, inclusive escrevendo artigos em conjunto com ela.
No Brasil, a Psicologia Biodinâmica surgiu através de psicoterapeutas que tiveram a oportunidade de contato na Europa, ao longo das décadas de 1970 e 1980, sendo influenciados por suas teorias e técnicas. Em grupos de estudo, cursos e supervisões, muitos profissionais foram tomando conhecimento dessas novas idéias, assim trazidas por eles. Essas idéias entretanto, foram assimiladas de forma difusa, juntamente com elementos de outras escolas neo-reichianas.
Era uma época em que a divisão entre as diversas formas de psicoterapia corporal não era tão nítida, e todos estudavam e praticavam um pouco de tudo. Em São Paulo, entre os primeiros terapeutas que ajudaram a difundir os ensinamentos biodinâmicos, podemos destacar Antônio Carlos Godoy, Maria Mello, Regina Favre e Rubens Kignel, sendo que este foi professor de Biodinâmica em diversos cursos de psicoterapia corporal, naqueles primeiros tempos, além de ter organizado os Cadernos de Psicologia Biodinâmica – em três volumes, publicados em 1983 – e o livro Entre Psique e Soma, de Gerda Boyesen, em 1986, quando ainda não havia um curso de Formação em Psicoterapia Biodinâmica no Brasil.
Essa situação só começou a mudar à partir de 1993, através de André Samson, que havia realizado a formação completa no Instituto de Gerda em Londres, e trabalhado por diversos anos como psicoterapeuta biodinâmico naquela cidade, e retornou ao Brasil em 1992. No anos seguinte, André e seu colega Ricardo, lançaram um curso de Massagem Biodinâmica, que acabou sendo o embrião do Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica e do Curso de Formação, reconhecido por Gerda Boyesen, o primeiro no Brasil e na América Latina. Desde essa época, Gerda e sua filha Ebba já estiveram várias vezes no Brasil, participando de cursos, seminários e outros eventos, que vem ampliando a divulgação de seu trabalho no país.
Célia Borges

17 de fevereiro de 2011

ALDEIA GLOBAL – Gustavo Praça lança “Cavalo Baio” no C.C.Visconde de Mauá



ALDEIA GLOBAL – Gustavo Praça lança “Cavalo Baio” no C.C.Visconde de Mauá
O jornalista e escritor Gustavo Praça estará lançando, nesse domingo, 20 de fevereiro, no Centro Cultural Visconde de Mauá, o seu quarto livro, Cavalo Baio, em evento marcado para as 18 horas, com direito a autógrafos. A obra, que fala do mistério que abalou Penedo em 1960, é ilustrado pelo artista plástico Roberto Granja.
A trama criada a partir de um atentado ocorrido no casarão da Fazenda Penedo, que funcionava como hotel na época em que se passa a história, se desenrola num cenário real. O autor mistura personagens fictícios com personagens históricos, como Toivo Uuskalio e Toivo Suni, pioneiros na fundação da colônia finlandesa. Alguns personagens fictícios são baseados em pessoas reais, como o jornalista que conduz a trama, inspirado no escritor resendense Macedo Miranda.
O jornalista, hóspede do hotel onde acontece o atentado, decide investigar o caso, cujas pistas o levam a subir a serra, chegando a Mauá, Mirantão e Santo Antônio, região que também compõe o cenário do livro. Além da trama policial, a obra prende a atenção do leitor pela descrição minuciosa, quase cinematográfica, dos cenários onde a história se desenrola, retratando usos e costumes do povo desses lugares, e sua bela paisagem.
Conhecedor como poucos da história e das histórias de Penedo, e herdeiro de uma tradição cultural familiar, que une arte e literatura, política e turismo, Gustavo já escreveu e publicou também “Capinando o Rio”, de crônicas, em 1994; As Caravelas do Apocalipse, em 1999, e Sonho do Filósofo Agricultor, de 2006, com entrevistas sobre Toivo Uuskalio, pioneiro da colônia finlandesa de Penedo.
Para escrever Cavalo Baio, sua primeira novela policial – que ele faz questão de classificar como novela, e não como romance – Gustavo confessa que foi influenciado pelo escritor belga George Simonon, autor de vários romances policiais ambientados na França. “Em seus livros, Simenon humaniza a figura do detetive; assim como no meu livro o personagem que resolve fazer o papel de detetive é um jornalista”, comenta o autor, ele próprio jornalista, que há 30 anos trocou a grande imprensa do Rio por Penedo, e que segue como editor dos jornais Ponte Velha e Nariz da India, dois tradicionais veículos da região.
Segundo ele, a formação de Penedo tem duas vertentes principais, os finlandeses que chegaram a partir de 1929, e os lavradores que desceram dos vales mineiros do alto da Mantiqueira, desde 1950, para praticar uma agricultura de subsistência. Mais adiante, a partir da década de 1960, incluem-se mais duas vertentes, dos empresários que vêm de fora para investir no turismo, e o grupo dos alternativos, que nos anos 70 fizeram a opção de sair das grandes cidades em busca de uma vida mais próxima da natureza, numa espécie de reedição do sonho de Toivo Uuskalio, e entre os quais ele se coloca. Todos esses tipos encontram-se retratados um pouco em cada um de seus livros.
Célia Borges

ALDEIA GLOBAL – Big Baixaria

Há algumas semanas recebi, e repassei para os meus amigos e contatos, um texto do Luis Fernando Veríssimo, sobre esse lamentável programa que é o tal de Big Brother Brasil. Aliás, o BBB e essas outras cópias que ouço dizer que existem por aí. Ouço dizer, porque não consigo perder nem um único segundo da minha vida para ver tanta bobagem e baixaria. O que não impede que toda essa futilidade invada meu espaço, e o de vocês, nas páginas de abertura dos nossos provedores, e nos anúncios das TVs.
Não tenho muito a acrescentar aos comentários do Veríssimo, com seu proverbial talento para as palavras exatas, mas não resisto a dar alguns palpites, na esperança de mobilizar o cidadão expectador para lutar pelos seus direitos, e escapar desse espetáculo de mediocridade que nos assola, no que parece uma enorme quantidade de dias por ano.
Num país que tanto sofre com a falta de educação – não só no sentido da escolaridade, mas também na falta de valores morais – é de se lastimar que tal tipo de programa se multiplique com tanta abundância, provendo a nossa TV desses shows de vulgaridade e promiscuidade, onde as notícias são quem beijou quem, quem agarrou quem, quem se esfregou com quem, quem trocou de parceiro e quantas vezes. É a exaltação do sexo sem conseqüências, numa competição de fofocas e esforços por revelar o mau caráter de cada um. Que vença o pior.
Será que essa é a única fórmula para se conquistar audiência? Será que para ganhar mais dinheiro é indispensável nivelar a população por baixo? Será que é lícito que empresários da comunicação esqueçam suas responsabilidades éticas, e continuem apelando para uma programação de baixo nível, para manter seus faturamentos em alta? Será que alguém se orgulha de projetar no sucesso fácil o paradigma de um futuro para a nossa juventude, desestimulando o esforço e o estudo? Ah, as perguntas são muitas...
Eu me lembro com saudades de outro tipo de programas, que existiram nos primórdios da TV, quando eu ainda era criança. Programas como O Céu é o Limite, uma competição para quem soubesse mais sobre algum assunto. Ou os programas de calouros, destinados a revelar novos talentos. Quantos estudiosos e artistas se revelaram nessa época? Quantos estudiosos e artistas poderiam ser revelados nos dias de hoje, se essas fórmulas de programa pudessem voltar, ainda que atualizadas? Quantas pessoas esforçadas e especiais – cientistas, pesquisadores, artistas e atletas - poderiam ter oportunidade de sair do desconhecimento, para contribuir relevantemente para a educação, a cultura, as artes do país? E merecer uma justa oportunidade para se desenvolver?
Não vejo qual é o mérito de incentivar a mediocridade. Nem aceito a idéia de que é preciso dar ao povo pão e circo, engambelando-o para perpetuar a ignorância. Aproveito a oportunidade para dizer também que acho lastimável essa cultura funk, machismo retardatário que se esmera em transformar a figura da mulher, não em objeto, mas em lixo. Cito isso, porque esses motivos, juntos, me fizeram ser chamada de “déspota cultural”. O que é valido nos meios ditos culturais, onde o critério universal é aceitar tudo.
Não se pode culpar o expectador do BBB, porque é só isso que a TV tem a lhe oferecer. Mas podemos culpar a TV por não dar acesso ao expectador a outras opções. Ou por criar essas opções e não colocá-las ao alcance do expectador, que é o que se faz com os canais oficiais. Mas o fato é que, se queremos mudar nossa cultura, se queremos melhorar nossa educação, esse processo passa necessária e indispensavelmente pela qualidade da programação da TV, que é o nosso meio de difusão mais amplo e abrangente, seja pelo melhor ou pelo pior. Pode ser um BBB, beirando a pornografia, ou uma nova produção, que exalte vocações e talentos, para as artes, ciências e literatura. O que desanima é que mudar isso depende de nós, e existem muito poucas pessoas, proporcionalmente à nossa população, dispostas a se mobilizar pelo país, pelos nossos jovens, pela nossa CULTURA.
Célia Borges