5 de abril de 2008

ALDEIA GLOBAL XXIV – Nós e os outros: a imagem do Brasil e do brasileiro no exterior

Os problemas enfrentados por brasileiros que tentaram entrar ou passar pela Espanha há cerca de um mês não são exatamente novidade: nossos turistas e viajantes já tiveram outras fases difíceis para entrar em vários paises em nossa história recente, principalmente EUA e Inglaterra. Há alguns anos, na época em que esteve em exibição a novela América, uma situação semelhante se verificava com relação aos brasileiros que tentavam entrar clandestinamente nos EUA através da fronteira com o México. E de como isso também dificultava a vida dos conterrâneos lá residentes.

A questão da migração de grupos humanos entre países já foi muito mais amena do que nesses nossos dias de Aldeia Global. Sem entrar no mérito do passado remoto e das suas condições peculiares, como os movimentos colonizadores, mas pensando no mundo por assim dizer “moderno”, da metade do século XIX pra cá, vemos muitas ondas migratórias aceitas de forma positiva e receptiva. E na formação de países “novos” como os EUA e o Brasil, essas ondas migratórias foram decisivas.

Muitas circunstâncias contribuíram para mudar esse panorama, mas isso seria assunto para um tratado sociológico que não cabe nesse espaço. O que se pode constatar é um agravamento, nas últimas décadas, dos conflitos e interesses migratórios. Questões econômicas e culturais passaram a alimentar uma xenofobia (rejeição ao que é estranho ou estrangeiro) latente nos paises mais desenvolvidos, contra os imigrantes oriundos de países pobres e subdesenvolvidos.

A tomada de parte dos EUA pelos latino-americanos desde os anos 60, assim como a verdadeira invasão de muçulmanos aos paises do bloco europeu desde a década de 90, contribuíram para instigar esse sentimento. Mas onde é que os brasileiros entram nisso? Estamos acostumados a nos ver como um povo alegre, simpático, hospitaleiro... um país de gente brilhante, como Santos Dumont!!! Como Sergio Vieira de Melo!!! Campeões mundiais do futebol. Da vela. Do tênis. Escritores como Paulo Coelho e Jorge Amado... cantores e músicos tão famosos. E o carnaval!!!! Então porque é que merecemos ser discriminados?

Acostumados que estamos com a nossa origem tão miscigenada, nos soa estranha a idéia de segregação, mesmo quando ela é imposta dentro do nosso próprio país. Até há poucos anos nos víamos como um povo onde cabiam todas as cores de pele, nacionalidades e credos. Abertos para receber tanto imigrantes quanto turistas estrangeiros, com um orgulho simples e peculiar. Então, porque é que agora eles nos fecham as portas?

O exemplo, não sei se melhor ou pior, que posso dar para explicar a nossa imagem para os estrangeiros vem justamente do cinema americano, veículo tão fortemente formador de opinião em todo o mundo: cada vez que um bandido, traficante, delinqüente de qualquer tipo, quer fugir da lei nos Estados Unidos, ele quase sempre vem para o Brasil. Mais especificamente para o Rio de Janeiro, que parece ser a capital mundial da impunidade. E eu já nem duvido que seja mesmo...

Se não somos os piores, estamos bem cotados como os mais mal educados turistas do mundo, daquele tipo que fura filas, que joga lixo na rua, que faz algazarra no hotel...que rouba “souvenirs” só por diversão. E não vamos pensar que isso é “coisa de pobre”, porque pobre não tem dinheiro pra fazer turismo na Europa nem em outro lugar qualquer. É o puro e simples reflexo de quem não tem educação. Não falo da falta de escolaridade, mas da educação como um bem coletivo, como uma norma de comportamento em todos os sentidos e momentos. Infelizmente é preciso constatar que somos um povo mal educado. E ponto final.

Finalmente, o mais comum e triste dos motivos, é que o perfil do brasileiro que tenta imigrar, geralmente clandestinamente, é o daquele cidadão com alguma escolaridade, mas que por falta de emprego no Brasil, ou por puro desespero, sonha em encontrar em outros paises oportunidades de uma vida melhor. Podem não ser os mais pobres, miseráveis e famintos, mas são aqueles que lutam para justamente não serem tragados pela tal “linha de pobreza”. São professoras que vão trabalhar como babás, são pais de família desempregados que vão lavar carros ou engraxar sapatos. São advogados que vão trabalhar como garçons...

São, enfim, o reflexo da nossa pobreza, e os países ricos não querem mais tantos pobres em seus territórios. Nem mesmo pobres com boa escolaridade, porque não vão perder tempo verificando isso. Somos exportadores de prostitutas e travestis, e esse é um dos motivos pelos quais a Espanha não nos quer por lá. Mesmo que nossas mulheres sejam lindas e tenham “bunda grande”...

Nossa fama é uma das piores, mundo afora. E para isso, contribui também, e bastante, o comportamento dos nossos próprios governantes e autoridades. Por mais que viajem e participem de eventos internacionais respeitando a “liturgia” de seus cargos, por mais que recebem homenagens formais, não estão isentos de uma análise crítica à nível internacional. Eles podem até merecer respeito pelas vias diplomáticas, mas as mazelas e verdades do país estão na imprensa internacional. E é ilusão pensar que a nossa imagem, como país e como pessoas, possa escapar desse filtro.

Célia Borges

ITATIAIA HISTÓRICA – Ville Virkilla, um artista finlandês em Penedo


Alguns dos traços mais marcantes deixados pela colonização finlandesa em Penedo dizem respeito aos aspectos cultural e artístico. Do ponto de vista cultural as manifestações são as mais variadas, como a culinária, a sauna, a música e a dança folclóricas. Quanto à arte, pode-se dizer que, se não houve quantidade, é indiscutível a qualidade. A tapeceira Eila e o pintor Toivo Suni são um bom exemplo disso. Menos conhecido, mas não menos brilhante, o escultor Ville Virkilla produziu uma incontável coleção de trabalhos em madeira, e perpetuou seu talento na escultura símbolo de Penedo, Aves de Arribação, situada na principal praça desse recanto turístico.

Ville faleceu na Finlândia há cerca de dez anos, mas deixou descendentes em Penedo, como a filha Annie Virkilla, que criou e dirige o Centro Cultural Penedo, e Virve, que mantêm a casa onde os pais moraram no Brasil. E apesar da produção intensa, seus trabalhos são hoje raridade no país, sendo que a maioria dos exemplares conhecidos são de propriedade das próprias filhas. Na Finlândia, onde passou os últimos anos de sua vida, entretanto, tem uma considerável quantidade de obras preservadas e admiradas.

Em entrevista concedida em novembro de 95 à Revista Regional, Annie revelou um pouco da personalidade do pai: “Ele nunca teve, ou eu nunca percebi nele enquanto morou no Brasil, exatamente uma ambição artística. Ele esculpia com a mesma naturalidade com que andava, comia, respirava e amava. E se, enquanto estivesse esculpindo, aparecesse alguém e dissesse “mas que lindo!!!”, ele concluía o trabalho e dava de presente para a pessoa”, contava ela, concluindo: “Se tivesse ficado no Brasil seria um pobre artista falido”.

Nascido em Kotka, na Finlândia, desde cedo Ville Virkilla manifestava um talento que só se revelou plenamente na maturidade: com um canivete, divertia-se esculpindo barquinhos em madeira, com os quais enriquecia o acervo de brinquedos da garotada – irmãos e amigos com os quais convivia.

O entalhe e a escultura ficaram relegados à condição de hobbies na adolescência. Soldado na Segunda Guerra, Ville foi ferido. Submetido à convalescência em Helsinque, aproveitou o período de limitada atividade física para estudar Belas Artes naquela cidade. As circunstâncias, entretanto, impediram que ele mantivesse a dedicação à arte.

Preocupado em garantir o sustento da família que começara a formar, através do casamento com Vaike, que já esperava a primeira filha, ele aceitou uma proposta de trabalho no Brasil, em 1950, estabelecendo-se com uma fábrica de móveis em São Paulo. souberam da existência da colônia de Penedo, e em 51 programaram uma visita. Do encontro com os compatriotas, surgiram grandes e sólidas amizades.

Os Virkilla começaram a freqüentar Penedo nos fins de semana e nas férias, hospedes quase sempre do pintor Suni. Em 1965 resolveram construir sua própria casa, onde passaram a permanecer por períodos cada vez maiores, com os filhos Marianne (Annie), Inga, Virve e Jussy.

O talento artístico do empresário Ville não passou despercebido em São Paulo. Mesmo produzindo de uma forma simples e despretenciosa, seus trabalhos mereceram espaço e reconhecimento: em 1957, menção honrosa do Museu de Arte Moderna de São Paulo; em 58, exposições no Museu de Belas Artes e no Clube Escandinávia; em 59, medalha de bronze no MAM-SP e em 62, exposição na Galeria Domus.

A convivência com Penedo, onde encontrou identidade entre artistas e boêmios, foi um estímulo à sua criatividade. Tocando sanfona com Toivo Suni – que respondia no violino – e ambos em conjunto com qualquer outro músico que quisesse aderir, independente do instrumento, nacionalidade ou idade, era presença constante nas noitadas musicais que se realizavam em plena rua. Na platéia, finlandeses e brasileiros, velhos, jovens e crianças, confraternizavam na paisagem simples, sob o céu do Penedo.

A filha Annie lembra alguns detalhes desse tempo: “Quando eu queria falar com meu pai, saia atrás das lasquinhas de madeira que ele ia deixando pelo caminho, desde o portão de casa até o lugar onde ele parasse para conversar”. As lasquinhas eram sobras de pedaços de madeiras nativas, como o cedro, o jacarandá e o pinho-de-riga, que ele transformava em personagens brasileiros e universais: o homem do campo, o pescador, a lavadeira com a trouxa de roupas na cabeça, o artesão, o músico, o bêbado, o lutador de capoeira, e tantas outras figuras típicas, que a sensibilidade e a destreza de Ville traduziam em arte.

A consagração do artista só se deu em 1071, quando em viagem à Finlândia para rever a família, levou na bagagem um conjunto dos seus trabalhos. Um irmão, também escultor naquele país, convidou-o para dividir com ele uma exposição na Galeria Becksbacka, em Helsinque. Recortes de jornais finladeses da época refletem o impacto e o sucesso da mostra, com os críticos destacando o movimento e a vivacidade que o artista emprestou, principalmente, aos tipos brasileiros.

O reconhecimento obtido nesta e em outras exposições – Estocolmo e Tampere em 72, e diversas galerias de Helsinque em 73, 74, 75 e 76 – valeram sua admissão como membro da Associação Internacional de Artes Plásticas da Unesco, com direito inclusive a uma pensão vitalícia, para garantir a continuidade de seu trabalho. Em 75 Ville voltou a viver na Finlândia com Vaike, mas durante anos ele fazia visita regulares à Penedo, inclusive em 1979, quando veio inaugurar a escultura Aves de Arribação, verdadeiro cartão postal do lugar. O trabalho em bronze, cujo pedestal domina a Praça Finlândia, representa a colonização finlandesa em Penedo.

Na Europa as nobres madeiras brasileiras foram substituídas pelo pinho branco, resultado da consciência ecológica e da disponibilidade do material. Com ela produziu admiráveis painéis em alto relevo, das cidades que conheceu, como São Francisco, nos Estados Unidos, onde expôs em 1983, e que enriquecem hoje o acervo de um artista que exercitou seu talento com a humildade de quem recebeu um dom de Deus.

Célia Borges

4 de abril de 2008

PAISAGISMO E JARDINAGEM VI – Plantas indicadas para jardins internos


A escolha das plantas adequadas é indispensável para o sucesso do seu jardim interno, ou até mesmo para ter um simples vaso em ambiente interior. Por mais que a luminosidade seja intensa, ou até mesmo quando há incidência de sol algumas horas por dia, na maioria dos casos é melhor optar por plantas de meia sombra, ou mesmo que prefiram sombra predominante.

Muitas espécies já tem originalmente essa característica, outras se adaptam bem, desde que se observe certas necessidades peculiares. Por estarem menos sujeitas à evaporação exercida pelo sol direto, elas exigem regas menos freqüentes, e é importante observar isso, porque o excesso de água pode ser tão fatal para a saúde de sua planta quanto à falta de umidade.

Algumas famílias, como as Begônias, que possuem uma grande diversidade de espécies, embora geralmente prefiram a meia sombra, também têm tipos que exigem insolação direta, portanto é bom ficar atento na hora de escolher. Elas preferem climas quentes, úmidos ou secos, mas podem ser adaptadas a clima mais ameno, desde que com o máximo de calor e luminosidade, para garantir a floração, geralmente delicada e muito atraente, com colorações variadas entre o branco, tons cor de rosa e vermelho.

Outra espécie florida que resiste bem ao ambiente interior é o Lírio da Paz, tanto o tipo de flores grandes quanto o chamado “miniatura”. As flores brancas, iguais às dos antúrios, em contraste com as folhas de verde intenso, criam um efeito extremamente decorativo. São plantas de meia sombra e preferem o clima quente e úmido, exigindo regas mais freqüentes. Os antúrios têm as mesmas características, mas exibem folhas bem maiores e em formatos mais variados, e as flores tendem para o vermelho, embora existam espécies de flores quase brancas.

Entre as floridas de pequeno porte, ideais para vasos menores, e que se desenvolvem bem em ambiente interior, estão os ciclamens, os lisantos, os lírios e as prímulas, sendo que as duas primeiras são plantas anuais ou bianuais. Os copos de leite, tanto os brancos como os amarelos, e especialmente os novos híbridos de coloração intensa, podem ser incluídos nesse grupo. Todas apresentam flores que predominam sobre as folhagens, com opções de cores as mais variados, e são indicados para ambientes românticos ou clássicos.

Para quem prefere um ar mais tropical no seu ambiente, algumas plantas da família das palmeiras podem ser bem aproveitadas. Entre elas se destaca a palmeira-rápis, também conhecida como ráfia: seu porte esbelto, com troncos cumpridos coroados por intensa folhagem verde escura, resulta extremamente decorativo. A areca-bambu é outra opção de palmeira para interiores, e embora ela cresça muito ao ar livre, pode ter essa característica controlada pelo tamanho do vaso. Existem também algumas espécies de camedórias, como a palmeira-bambu, que como as anteriores prefere meia sombra e podem ter seu crescimento controlado.

Se você dispõe de espaço para canteiros internos, e prefere folhagens de cores variadas e intensas, pode optar por plantas que formam touceiras, como as calathéas e as marantas, que possuem folhas riscadas e caprichosamente desenhadas, sendo que algumas tem toques vermelhos ou arrocheados na face interna da folha, além de tamanhos e texturas bastante variados. Nesse espírito também se enquadram os coléus, ou coração-magoado, com incontáveis variedades, e os caládios, da família do tinhorão, todas com pouca ou nenhuma flor, mas de folhagens exuberantes.

Sendo impossível enumerar todas, prometo voltar ao assunto em breve...

Célia Borges

SAÚDE - Homeopatia pode ajudar no combate à Dengue

>
> Há 9 anos, sendo então Presidente do IHB ( Instituto Hahnemanniano do
> Brasil), eu e outros colegas homeopatas , fomos chamados à secretaria
> Municipal de Saúde do Rio de Janeiro , por uma médica que lá trabalhava no
> setor de Homeopatia , que pediu-nos para criar uma fórmula ou sugerir um
> medicamento que pudesse ajudar no tratamento da dengue. Criei então uma
> fórmula homeopática, que durante este tempo tem sido usada por mim e
> outros colegas homeopatas para prevenção e tratamento da dengue. Sua
> composição é:
> Rhus tox. / Eupatorium perf. / China off. / Ledum palustre/ Gelsemium/
> 5CH/ aã.
> Pode-ser feita em glóbulos (sacarose), tabletes (lactose), ou gotas
> (alcoolatura a 30 ou 70 %) em qualquer farmácia homeopática, colocando ao
> lado dos componentes acima a forma de apresentação: glóbulos ou tabletes,
> 12g, ou gotas , 15 ml.
> Pode ser usada como preventivo da dengue, desta forma: tomar 3 glóbulos ou
> tabletes ou gotas, uma vez ao dia enquanto durar a temporada da epidemia.
> Isto tanto para adultos como para crianças de qualquer idade sendo que no
> caso de crianças não se usa a forma alcoólica. O medicamento deve ser
> dissolvido lentamente na boca.
> Como tratamento, no caso de dengue ou mesmo suspeita de dengue, o mesmo
> número de glóbulos etc, de duas em duas horas até a remissão completa dos
> sintomas.
> Nos inúmeros casos que tenho tratado ,a doença evolui de maneira branda, e
> resolve sem agravar ou deixar seqüelas.
> Para os pacientes que a usam como preventivo, até hoje não houve um caso
> de contaminação, pelo menos a mim relatado.
> Passei a distribuí-la todos os anos para todos os funcionários do IHB,nas
> épocas de epidemia e desde então nenhum funcionário (cerca de 22)
> contraiu a doença , mesmo os que moravam em locais endêmicos.
> Em caso de dengue hemorrágico , acrescenta-se ao tratamento acima, dois
> medicamentos: Phosphorus 12 CH , glóbulos ou tabletes ou gotas pela manhã
> e à tarde; Crotalus horridus, 12 Ch, 4 tabletes ou, etc... até as
> plaquetas normalizarem-se.
> Nos casos que tenho acompanhado, as plaquetas sobem rapidamente de maneira
> surpreendente.
> Dr Elmo Costa César sugere, no caso da dengue hemorrágica , que se
> acrescente também : Plaquetas/6CH ou 7Ch, uma dose de hora em hora
> espaçando para 2/2 ou 3/3 horas, até de 6/6 horas etc, até que se
> normalize a contagem das plaquetas (150 000).
> A Alcoolatura a 30% é indicada para pacientes que não podem tomar açúcar e
> o medicamento não tem um prazo de validade muito grande.
> Com alcoolatura a 70%, o prazo é de dois anos. Óbvio que para crianças é
> mais indicado os tabletes.
> Para quem tem alergia a lactose use-se os glóbulos. Pode-se usar
> externamente a pomada de Ledum palustre como repelente, que funciona de
> modo bastante eficaz e não traz alergias.
> QUALQUER FARMÁCIA HOMEOPÁTICA pode veicular estes medicamentos.
> Uma boa medida é tomar vitaminas do complexo B, especialmente a B6, que
> eram usadas no Vietnã pelos soldados americanos pois deixa um odor na pele
> que afasta o mosquito, e a vitamina C, que reforça o colágeno e a
> imunidade.
> Existe o Teragran Jr. uma fórmula que reúne estas duas vitaminas para
> crianças.
> Como todos nós, profundamente emocionada e chocada com o que tem
> acontecido no último mês, principalmente em relação às crianças e
> grávidas, resolvi divulgar a minha modesta experiência. Claro que a
> homeopatia não DISPENSA nem INTERFERE nos cuidados médicos obrigatórios
> nestes casos, nem deve-se desleixar na erradicação do vetor combatendo
> seus focos de proliferação.
> .
> Boa sorte e peço que divulguem ao máximo esta mensagem se assim o
> desejarem.
> Atenciosamente,
> Profa. Dra. Ana Teresa Doria Dreux, CRM no. 52.33019-0,
> Livre Docente e Profa. Adjunta de Clínica Homeopática da UNIRIO,
> Vice Presidente do Instituto Hahnemanniano do Brasil, www.ihb.org.br .
>

3 de abril de 2008

ALDEIA GLOBAL XXV – Será que o sucesso econômico justifica a corrupção, a impunidade e a arrogância?

O ex-presidente FHC não é exatamente pessoa que mereça muita consideração da minha parte, porque acho que ele é responsável por muitos dos problemas que enfrentamos hoje. Nunca vou esquecer a forma, no mínimo deselegante, com que ele tratou seu antecessor, Itamar Franco, que tanto contribuiu para que ele fosse eleito. Não vou esquecer que ao invés de investir na educação e na saúde, ele iniciou seu governo apostando todas as fichas num projeto de reeleição.

Sofro de um grande problema para o cidadão dos dias atuais, que é o fato de ter boa memória. Nunca pensei que isso doesse...mas dói. Por isso me lembro do FHC como um sujeito vaidoso, irresponsável e arrogante. Lembro dos sorrisinhos de escárnio do Dr. Malan e de outros economistas prepotentes, daquela “gang” que eu definiria como “os escravos do mercado”, tratando a todos nós como se fossemos apenas um bando de ignorantes.

Não gosto do FHC, mas tenho que concordar com ele em pelo menos um dos seus comentários recentes: falando sobre os altos índices de aprovação do nosso presidente nas pesquisas de opinião da semana passada, ele disse apenas que “em se tratando do Brasil, eu não duvido de mais nada”. Engraçado, eu também não... Tenho a impressão de que estamos chegando ao caos absoluto, ultrapassados todos os limites.

Senão vejamos: o Ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, num jantar de promovido pelo presidente do PMDB Michel Temer, em desagravo à ministra Dilma Rousseff, declarou sobre fatos veiculados pela imprensa nas últimas semanas sobre a bisbilhotice nas contas do presidente anterior, como defesa para as falcatruas do atual governo: “Esse dossiê tem eco zero na sociedade”.

E eu me pergunto: como assim? Tem eco em mim...e em muitas pessoas que eu conheço. Será que não fazemos mais parte da sociedade. Eu não me lembro quando foi que eu dei procuração à esse cidadão para falar por mim. E para a minha sorte, nunca votei nele pra nada. Preocupado em desculpar os desmandos da ministra, ele fala como se fosse uma “pitonisa” moderna. Mas diferentemente do objetivo daquelas figuras mitológicas, essa é daquele tipo que fala sempre tudo ao contrário.

E o pior é que estamos nos acostumando com esse discurso do contrário, pois ele predomina no conteúdo de praticamente a totalidade dos pronunciamentos oficiais. E também nos extra-oficiais. Só pra ficar no caso da ministra Dilma, sua intenção de atingir o governo passado já havia sido manifestada publicamente, e até divulgada nos jornais. Diante disso, as desculpas e negativas de responsabilidade não passam de puro cinismo, atitude aliás bastante comum entre as autoridades do PT.

O esforço para ameaçar, fazer chantagens, e até “partir para o berreiro” como tem sido feito pelo nosso presidente, com relação à qualquer oposição ao atual governo, já é, em si, um comportamento pra lá de suspeito. Quem está contando com tão grande aprovação popular, como parece apontar a última pesquisa do IBOPE, deveria estar mais tranqüilo no exercício do poder, sem precisar se esgüelar, se descabelar, mostrar tanto desespero em defesa do “status quo”, ou fazer campanha eleitoral fora de época, como faz o presidente. E poderia estar tratando a oposição com mais respeito.

Diante de qualquer crítica ou de constatação de fatos desabonadores sobre seu governo, seus ministros e auxiliares, ou mesmo de seus aliados políticos, o presidente saca logo as palavras de ordem sobre o sucesso econômico de sua administração. Afinal, “nunca antes nesse país” se viu tamanha contradição entre os fatos e as suas interpretações, versões, desculpas e explicações. Como também nunca se viu um presidente da República confraternizar, tão prioritariamente, com todo o tipo de suspeitos e acusados de desmandos, corrupção e mau uso de recursos na política e na administração públicas.

Essa persistência em defender a desonestidade, em justificar os piores comportamentos e em desprezar tão acintosamente a ética, revela uma personalidade sem princípios morais, sem educação e sem caráter. Não ter escolaridade não significa nessariamente não ter educação, e acredito que cada um de nós já deve ter visto exemplos disso pela vida afora. Mas nosso presidente desconhece isso, e age como se a pobreza fosse justificativa para a delinqüência. Eu vejo nisso uma manifestação de desprezo e arrogância contra os próprios “pobres” que ele diz tanto defender.

Priorizar um desenvolvimento econômico em bases falsas – porque só através da educação e do senso de cidadania se pode contar com um desenvolvimento verdadeiro – e deixar que os valores morais se esvaziem diante de tantos maus exemplos, não me parece a política mais adequada para um “crescimento sustentável” ou para garantir uma justiça social sólida e eficiente.

Será que dar esmolas, em lugar de educação, saúde e trabalho, vai resolver os problemas da nossa pobreza? Será que dificultar as condições de sobrevivência da classe média – a legião de professores, médicos, técnicos de todas as áreas, profissionais liberais, aposentados e pensionistas, tão penalizados pela tal vitoriosa política econômica – é uma opção que garanta o nosso desenvolvimento? Aprofundar desigualdades, promover conflitos raciais, garantir a livre agiotagem dos bancos, será que isso vai nos levar a ser um país forte e soberano.

Não acredito nessa pesquisa do IBOPE, que através de uma amostragem com duas mil pessoas, num universo de quase duzentos milhões de habitantes, deu tanta aprovação a esse governo. Eu, pessoalmente, vejo em tudo isso um prenúncio de desastre. Se o país virar um lugar insuportável pra viver, o Lula já tem sua vidinha garantida, pois pode se mudar para a Itália em companhia de D. Mariza. E eu, sinceramente, só espero não viver tanto para ver isso acontecer.

Célia Borges