20 de novembro de 2010

AGENDA CULTURAL – Caminhos da Leitura em Visconde de Mauá

O Centro de Cultura e o Ponto de Leitura do Centro Cultural Visconde de Mauá estarão promovendo, de 25 a 28 de novembro, programação do projeto Caminhos da Leitura, através de atividades que, segundo a diretora do centro, Márcia Patrocínio, visam estimular a leitura, às manifestações artísticas e à reflexão pedagógica.
A programação começa na quinta, dia 25, na parte da manhã, com Roda de Leitura, que traz o escritor e jornalista Bruno Casotti, do Rio de Janeiro, para leitura e comentários dos livros de sua autoria, com alunos da Escola Municipal Francisco Quirino.
Na sexta-feira, dia 26, haverá Oficina de Educação Musical com Enny Parejo, de São Paulo, e que terá o lançamento do livro “Estorinhas para Ouvir – aprendendo a escutar música”, de sua autoria, das 13 às 17 horas, especialmente destinada a educadores locais, com 35 vagas, na Pousada Bolo Húngaro.
E no domingo, dia 28, está programado o encerramento do evento, com o lançamento do livro “Alma Nômade”, de Sergio Zurawel, (www.clubedeautores.com.br/book/31313--ALMA_NOMADE) às 19h30, na sede do Centro Cultural Visconde de Mauá. A programação de quinta é aberta ao público.
Célia Borges

16 de setembro de 2010

ÁRVORE ELETRONICA: SOLUÇÃO PARA O LIXO TECNOLÓGICO



Se você tem aparelhos de telefone celular já desativados, teclados, “mouses” , computadores velhos e outros equipamentos sem uso, e não sabe o que fazer com eles, surge finalmente uma solução para descartá-los de forma útil, e voltada para a reciclagem. No próximo dia 21 de setembro, em endereços de Resende, Itatiaia, Porto Real e Petrópolis, esses resíduos da tecnologia estarão sendo recolhidos, através do evento ÁRVORE ELETRÔNICA.
A iniciativa é da PC Vida e Grandiflora Consultoria Ambiental, que garante que todo o material coletado será encaminhado para reciclagem ou utilizado em projetos de inclusão digital. E que, para cada tonelada de resíduos coletada, serão plantadas 30 mudas de árvores.
Os postos de coleta na nossa região serão os seguintes: Resende – Resende Shopping e Colégio Estadual Dr. João Maia; Itatiaia – Colégio Municipal Reinaldo Maia Souto; Penedo – Colégio Municipal Dom Ottorino Zanon; Porto Real – Secretaria Municipal de Meio Ambiente; Petrópolis – Ong PC Vida e TV Vila Imperial.
A Universidade Estácio de Sá, que apóia essa idéia, está recebendo materiais nos seus “campi” de Petrópolis, Nova Friburgo, Resende, Niterói, Barra, Madureira e Rebouças.
A iniciativa merece o apoio das autoridades municipais da nossa região, de forma a tornar essa coleta regular, e de se estudarem meios de beneficiar as populações dos municípios doadores, contribuindo para uma inclusão digital que também favoreça nossas populações carentes.
A árvore da foto, que embeleza a nossa Av. Castelo Branco, em Resende, segue á título de inspiração, para que os doadores pensem no possível resultado de seu esforço.
Célia Borges

POPULAÇÕES AFETADAS POR PARQUES PEDEM “PAZ NA MANTIQUEIRA”



Uma ampla manifestação popular, reunindo moradores e instituições de municípios do interior dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, está sendo programada, embora ainda sem data definida, através de uma “Carreata pela Paz na Mantiqueira”, em direção à Basílica de Aparecida. O movimento se propõe a dar voz às populações que vem sendo afetadas pela criação e ampliação de unidades de conservação nessa região, pelo ICMBio, sem os devidos estudos de impacto social, econômico e ambiental.
Os líderes da manifestação são o mesmo grupo que conseguiu, recentemente, frear o processo de criação do Parque Altos da Mantiqueira, após desgastante processo iniciado em novembro do ano passado, com a apresentação pelo ICMBio da proposta de uma unidade de conservação, numa área de 86 mil hectares, e envolvendo terras de 15 municípios de São Paulo e Minas Gerais. Prefeitos e representantes dos municípios afetados, sindicatos rurais e associações profissionais, além da Fundação Cristiano Rosa e do Instituto ECO Solidário, participam da organização.
Apesar da criação do parque estar paralisada por decisão judicial, ao final de dois anos poderá ser retomada, e nesse período, os organizadores da “Carreata pela Paz na Mantiqueira” querem chamar a atenção da imprensa e da opinião pública para a absurda situação que é a criação de um Parque Nacional numa área densamente ocupada, promovendo o desemprego e criando problemas econômicos e sociais naquela região.
A mobilização da população nos município afetados foi imediata, graças à atuação de suas lideranças, e na primeira Consulta Pública, em 7 de dezembro, em Pindamonhangaba, os representantes do ICMBio foram surpreendidos pela presença de mais de 400 pessoas, que se insurgiram contra a proposta de criação do parque, inclusive pelo despreparo desses representantes, que não tinham informações sequer sobre quais e quantas seriam as propriedades atingidas, e o total da população afetada.
O impasse resultou na suspensão das outras três Consultas Públicas programadas para os dias seguintes – fato inédito segundo o próprio ICMBio – e após várias tentativas de conciliação, no início de 2010, o Procurador da Justiça Federal de Guaratinguetá entrou com Ação Civil Pública contra o ICMBio, para que apresentasse seu Plano de Manejo em 18 meses. Ao ser citado, o ICMBio pediu prazo de 24 meses, o que foi homologado.
O conflito gerado pela proposta de criação do Parque Nacional Altos da Mantiqueira é semelhante aos que vêm ocorrendo em outros locais, e em todo o país, como é o caso do Parque Nacional do Itatiaia, onde decreto de ampliação ameaça desapropriar a área do Núcleo Colonial, criada em 1908, e portanto quase trinta anos mais antiga do que o próprio parque, que só surgiu em 1937.
A Associação dos Amigos do Itatiaia está apoiando a “Carreata pela Paz na Mantiqueira”, e convidando seus associados, além de demais cidadãos e instituições do lado do Rio de Janeiro, para aderirem ao movimento. Além de Itatiaia, existem problemas entre a população e o ICMBio com relação também aos parques nacionais da Bocaina e da Serra dos Orgãos, cujos representantes estão sendo convidados para participar da carreata.
A unanimidade dos organizadores e apoiadores da “Carreata pela Paz na Mantiqueira” questiona a forma como o ICMBio vem criando unidades de conservação, sem a efetiva participação das comunidades locais, estudos técnicos nem avaliações sócio-econômicas. O resultado são os chamados “parques de papel”, uma política ambiental equivocada, que vem criando todo o tipo de problemas com as comunidades envolvidas. E que além disso o ICMBio não toma as medidas necessárias, nem demonstra compromisso, com a efetiva preservação do patrimônio natural do país.
Célia Borges

29 de julho de 2010

ROBERTO MAGALHÃES NO MAM/RESENDE




Um artista cuja obra é sinônimo da liberdade de criar. Essa é a definição mais freqüente, entre críticos e admiradores, para o trabalho de Roberto Magalhães, que expõe seus desenhos, à partir dessa sexta-feira, dia 30 de julho, no Museu de Arte Moderna de Resende. A mostra, que faz parte das comemorações dos 60 anos do MAM/Resende, será aberta às 19 horas, e na oportunidade haverá também o lançamento do livro “Eu Estou Sempre com Você”, da escritora Elizabeth Cabral, esposa do artista, e sessão de autógrafos do próprio Roberto Magalhães para o livro que leva seu nome, lançado no ano passado, e onde está publicada uma síntese da sua obra.
Laureado na IV Bienal de Paris, em 1966, Roberto Magalhães, que nasceu em 1940, e se revelou um artista precoce, teve sua primeira exposição individual aos 22 anos, na Galeria Macunaíma, do Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro. Em 1965, participou da revolucionária exposição Opinião 65, no MAM/RJ, ao lado de três outros ícones da arte brasileira, Antonio Dias, Rubens Gerchman e Carlos Vergara, num movimento de vanguarda que transformou a ordem estética então vigente.
Além da Bienal, em 66 Roberto Magalhães foi premiado também no XVI Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro, por uma série de xilogravuras. Após morar dois anos em Paris, na volta ao Brasil atravessa período de busca espiritual, que se revela numa série de desenhos de inspiração esotérica. Nas décadas seguintes, seguiu criando com liberdade e além dos limites das técnicas, projetando seus temas fantásticos e visionários, através do traço original e único.
Em 50 anos de atividade profissional, Roberto Magalhães realizou exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, e suas obras encontram-se no acervo de museus e coleções particulares. Uma seleção desses trabalhos compõe o livro ROBERTO MAGALHÃES, da editora Portfolio Brasil, estará à venda, e poderá ser adquirido com autógrafo, na abertura da exposição ROBERTO MAGALHÃES EM RESENDE.
A exposição de Roberto Magalhães chega ao MAM/Resende como um presente especial, no ano em que nosso Museu comemora seus 60 anos. A presença desse artista, de renome internacional, é incentivo e ponto de partida para novas metas. Com essa exposição, o MAM/Resende procura difundir as tendências e questões da arte contemporânea, buscando ampliar e diversificar seu público, e valorizando a cultura no município e na região.
Célia Borges

15 de julho de 2010

ITATIAIA – Os 100 anos do “seu” José Narciso da Silva




Neste domingo, dia 18 de julho, uma grande família de Itatiaia vai estar em festa: filhos, netos, bisnetos e trinetos, somando quase 150 pessoas, vão festejar os 100 anos de José Narciso da Silva, pessoa muito popular e querida no município.
Mas a comemoração do centenário do “seu” Zé da Silva, como é mais conhecido, começa nessa sexta-feira, dia 16, com um café da manhã promovido pelo Clube da Terceira Idade, organizado pela Secretaria Municipal da Ação Social, e com o apoio de diversas pessoas, empresas e entidades do município.
A homenagem se justifica, não só porque “seu” Zé da Silva é o cidadão mais idoso de Itatiaia, inclusive segundo os registros oficiais, mas pela quantidade de amigos e admiradores que ele cultiva, e pelo exemplo de disposição e vitalidade que ele continua dando, todos os dias. No domingo, em casa, ele vai comemorar a data cercado da família e dos amigos mais chegados. Em casa e na rua em frente, porque a casa é pequena pra tanta gente.
Nascido em Santana dos Tocos – distrito de Resende inundado para a construção da Represa de Funil - filho de índios, “seu” Zé da Silva vive em Itatiaia desde meados da década de 1930, tendo passado a maior parte de sua vida trabalhando para o Parque Nacional do Itatiaia.
Saudável, alegre e bem disposto, ele não aparenta nem de longe os seus bem vividos 100 anos. É difícil encontrá-lo em casa, pois seu maior prazer é dar longas caminhadas, percorrendo as ruas dos bairros próximos à Vila Pinheiro, onde mora, sempre pronto para “um dedo de prosa” com algum dos seus muitos amigos.
Conhecedor como poucos dos segredos das plantas – que aprendeu andando pela mata com o pai, ainda na infância - atende aos pedidos de uma grande clientela dos remédios que prepara com elas, e que, segundo ele, já ensinou a muito “doutor” do Parque Nacional.
Antes de se radicar em Itatiaia, ele passou alguns anos da adolescência no Rio de Janeiro, adotado informalmente por um oficial de Marinha amigo de seu pai e morando na Ilha do Governador. Por influência dessa família, engajou-se naquela força, tendo passado alguns anos embarcado, quando teve oportunidade de conhecer diversos países. Após dar baixa, procurou trabalho no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde ficou alguns anos, até ser enviado para Itatiaia, para trabalhar na Reserva Biológica então existente.
“Seu” José Narciso conta com orgulho, que comandou a abertura de trilhas e picadas mata adentro, quando o Parque Nacional do Itatiaia ainda nem existia. E que teve o privilégio de conhecer o presidente Getúlio Vargas pessoalmente. Para ele, “um homem muito bom”, pelo que fez pelos direitos do trabalhador. Direitos que só beneficiaram “seu” José Narciso parcialmente, porque depois de mais de 50 anos de serviços, só depois de muita luta para comprová-los – devido à falta de registros e à informalidade do serviço público federal nas unidades de preservação - é que ganhou uma aposentadoria de cerca de dois salários mínimos por mês. Sem casa própria, ele mora com uma de suas filhas.
Entre as histórias que gosta de contar, uma das prediletas é a do seu casamento com Lourdes Benedita da Silva, que como ele era de Santana dos Tocos, e com quem ele casou sem ter sequer o tempo de namorar. Conheceu ela num baile – ele não sabia dançar e ela era a única sem par – e depois de uns rodopios, fez brincadeira com um parente da moça, dizendo que lhe pagava um litro de cachaça se fosse ao pai dela pedir à mão em casamento. Ao contrário do que esperava, o pedido foi feito e o pai da moça aceitou. E ele, “palavra de homem”, não podia voltar atrás. Casou com ela e nunca se arrependeu. Viveram juntos por 49 anos, dez meses e dezesseis dias, sendo que pouco antes de completar as bodas de ouro, ela morreu dançando em seus braços.
Nos seus 100 anos, depois de dois casamentos e 28 filhos – dos quais dezesseis próprios e doze adotados, e entre todos, quatro já falecidos – “seu” José Narciso é um verdadeiro de ídolo dessa grande família, que já conta com 123 pessoas entre netos e bisnetos, e seis trinetos, sendo que o mais novo tem pouco mais de quatro meses. Sobre suas incansáveis caminhadas, diz que não gosta de parar, “para não enferrujar”. Quando se pergunta o segredo da sua longevidade, ele diz que teve a sorte de poder viver na mata, que ele tanto ama. E quem foram seus amigos nesses anos? E ele diz: “todo mundo. Sou amigo de todos”.
Célia Borges