10 de fevereiro de 2009

ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE – Exposição “Desperdício. Não!” chega à Itatiaia




O Projeto Despedício Zero, evento itinerante do circuito das Agulhas Negras, dedicado ao incentivo à reciclagem, abre na próxima sexta-feira, dia 13 de fevereiro, a exposição “Despedício. Não!” no Colégio Municipal Ana Elisa Gregori, em Itatiaia.
A mostra, realizada com apoio da Prefeitura do município, através do Departamento de Cultura, contará com a participação de cerca de 30 expositores, entre artistas, artesãos e instituições, e ficará aberta ao público de 14 de fevereiro à 14 de março, das 8 às 17 horas. Além da exibição dos trabalhos, serão oferecidas oficinas aos visitantes, voltadas para a divulgação de técnicas de reciclagem.
O projeto foi iniciado há cerca de um ano, com uma exposição na Câmara Municipal de Resende, e desde então vem percorrendo a região, e dessa forma conquistando cada vez mais adeptos. A atual mostra reúne trabalhos produzidos em Quatis e Porto Real, além de Resende e Itatiaia.
O maior contingente de expositores é de Resende, com quinze participantes: Fernando Fleury, João Sabóia, Wendell Amorim, Katia Kirino, Laurens, Nádia Nelson, Paulo Cavalcanti, Pedro Kaleo, Samuel Costa, Tatiana Ratinetz, Tiago Gomes, Wilson Anastácio, Marcius Lima (in memoriam) e a idealizadora do projeto, Fátima Porto.
Quatis estará representado pelo projeto da prefeitura Recicla Quatis, e os artistas Arcanjo, Cazoba, Elizabeth, Edna e Marize. Porto Real terá Wagner Moura e Yone e sua turma. Itatiaia terá oito expositores, sendo quatro da região de Visconde de Mauá – Regina Sampaio, Maurício Mr. Papel, Liria Mariana e Vig e sua turma – e outros quatro de Penedo – Carmem Gardon, Luigi, a instituição Arcanjo Gabriel, e Kalimba, Escola de Percussão, que apresentará instrumentos musicais feitos com material reciclável.
Segundo a idealizadora do projeto e artista plástica Fátima Porto, a realização dessa exposição contou também com o indispensável apoio da diretora do Colégio Municipal Ana Elisa Gregori, professora Cláudia Hartung, que está convidando os demais colégios para visitação e oficinas. O projeto conta também com a parceria da oscip Alecrim Cultura e Saúde.
Célia Borges

8 de fevereiro de 2009

EXPOSIÇÕES – Luiza Ramagem no Centro Cultural Visconde de Mauá






A nova fase da artista plástica Luiza Ramagem, mostrando suas incursões na técnica do óleo sobre tela, poderá ser conhecida à partir da próxima quinta-feira, 12 de fevereiro, no Centro Cultural Visconde de Mauá, onde ela abre, às 18 horas, a exposição “Interdimensões”.
A exposição reúne 10 trabalhos, todos resultados de uma produção recente, nos quais ela demonstra a agilidade e presteza em enfrentar novos desafios, voltando ás origens, depois de passar pelo reconhecimento e sucesso nos trabalhos de colagens e técnicas mistas, muitos deles premiados, e em acervos como o do MAM-Resende.
Artista com mais de 30 exposições realizadas, entre individuais e coletivas, teve seu trabalho mostrado no Museo Francisco P. Moreno, em Bariloche, na Patagônia argentina, em 2005. Carioca, Luiza Ramagem foi visitante encantada por Visconde de Mauá desde a juventude, e reside na região há mais de 25 anos, estando radicada atualmente naquele recanto da serra.
Sobre os atuais trabalhos, ela escreve que “têm a ver com a conexão entre o inconsciente coletivo e a possibilidade mágica de interagir com os estados da nossa alma. Despertam a criança que existe dentro de nós, brinca com a imaginação, numa historinha de cores e luzes, que nos permite sentir os mais variados estados de consciência(...). É um jogo de percepção, que nos desafia a acreditar no “algo mais”que nos rodeia, e nos atinge nos sentimentos mais variados e profundos”.
Célia Borges

28 de janeiro de 2009

ALDEIA GLOBAL – Esse monstro chamado “Mercado”

O cidadão razoavelmente informado, que ouve, vê ou lê algum noticiário, já deve ter tido, em algum momento, noção da existência dessa entidade subjetiva chamada “mercado”, que os melhor informados podem traduzir automaticamente por “mercado de capitais”. O tal mercado tem influencias mais amplas além de apenas as Bolsas de Valores, mas essas são as arenas do grande circo econômico, onde o Sr. Mercado pode demonstrar cabalmente a sua força..
O Sr. Mercado, para simplificar nosso raciocínio, é o “dono do dinheiro”. São os banqueiros e demais detentores das grandes fortunas mundiais, oriundos dos mais diversos países (inclusive alguns bastante pobres), e donos de recursos cujas origens não parecem interessar a ninguém. São ricos, e pronto.
Ninguém quer saber se ou de quem roubaram, quantos e a quem mataram, para amealhar seus tesouros. De vez em quando um escândalo pipoca pelo mundo, pondo às claras bastidores das mais sujas negociatas, que sustentam algum desses magnatas desavisados, que não foi suficientemente esperto, ou por uma maré de má sorte, acaba “dando com os burros n’água” (desculpem, mas adoro essas expressões do tempo da minha avó). Mas o mercado, como um todo, continua incólume, e cada vez mais fortemente afortunado, absorvendo rapidamente os rescaldos do incêndio alheio.
A função do “mercado” deveria ser a de prover os paises dos investimentos necessários ao seu crescimento. Mas o “mercado” não investe, ele especula. Ou, sejamos justos, ele até investe... mas especula muito mais. Porque a especulação atende melhor à expectativa de lucros, quanto mais fáceis e imediatos, melhor. O “mercado” até parece uma criança que acredita em Papai Noel, sendo que o bom velhinho deles é aquele capaz de promover a produção de lucros e mais lucros, sem qualquer limite.
O mercado não sabe, coitado, que a produção de bens, pelo planeta e por sua população, tem um limite. Como criança insatisfeita, ele quer ganhar mais, sempre mais, cada vez mais. Mesmo que para isso tenha que usar de recursos artificiais e eventualmente desonestos, na ingênua crença de que não vai ter que prestar contas do que faz. O problema é que a ingenuidade do mercado nos custa muito caro. Porque o mercado não quer perder dinheiro “nem que a vaca tussa” (olha eu aí, de novo). E quem vai pagar a conta, no fundo, somos todos nós, não importa quanto nos custe.
O exemplo disso esta aí, nas páginas de todos os jornais, nas rádios e nas TVs: o “mercado” pisou na bola, especulou demais, gastou demais, e agora os governos dos mais diversos países vão precisar lançar mão dos recursos de suas reservas, para financiar a “recuperação” de um bando de milionários que se comportaram mal. Por que afinal, o povo pode ficar sem o feijão com arroz, mas o “mercado” não pode sobreviver sem seus jatinhos, seu champagne e seu caviar.
O mercado, coitado, também não sabe fazer contas. Se soubesse, as indústrias automobilísticas jamais poderiam trabalhar com a previsão de crescimento que prometeram ao seus acionistas. Como produzir tantos mais veículos da cada ano, sem acompanhar o crescimento da renda “per capita” mundial para absorver tal produção, sem o crescimento do número de motoristas pelo mundo que justifique tal quantidade? Será que tais “gênios das finanças” não percebem que todo crescimento tem limites? (ou será que sou só eu, e nesse caso, estou mesmo falando sozinha?!?!?!)
A crise que nos ameaça é um reflexo da falta de cérebros no comando dos países. Faltaram administradores, diplomatas e cientistas que conseguissem enxergar além dos interesses políticos imediatos, prevendo e impedindo que as economias dos paises e blocos econômicos ficassem reféns do mercado, como se encontram agora. Não é por outro motivo que os governos tem se mobilizado tanto no esforço para “salvar’ empresas e nichos econômicos. No fundo eles sabem que não mandam mais nada, e que as economias nacionais são reles prisioneiras do Sr. Mercado.
O Sr. Mercado, entretanto, é uma entidade que não tem pai nem mãe, que não vai à missa, nem presta contas à ninguém, de seus mandos e de seus desmandos. E ainda não deu sinais de que esteja disposto a abrir mão de seus privilégios, para manter a economia mundial funcionando. O Sr. Mercado precisa, exige, remuneração cada vez maior para o seu capital, não importa que seja à custa dos empregos de alguns milhões de pessoas ao redor do mundo – e no nosso país também.
Caprichoso, ganancioso, egoísta e cruel, o Sr. Mercado segue fazendo seus estragos, e não acredito que todos esses trilhões de dólares liberados por norte-americanos e União Européia, além dos tigres (ou seriam gatinhos) asiáticos, sejam capazes de sacia-lo. Não há riquezas, suor e vidas suficientes para saciar uma sede por lucro sempre crescente. É como se tivéssemos um emprego, e a cada mês quiséssemos ter um ganho real de 1% a mais. Nosso patrão iria à falência, e nos perderíamos o cargo.
O Sr. Mercado precisa cair na realidade, mas enquanto for essa entidade subjetiva, dando guarita à um punhado de egos insaciáveis, não há meios de se vislumbrar um fim para a crise. O Sr. Mercado tem um exemplo brilhante da sua mentalidade, no comportamento dos bancos brasileiros, que segundo o noticiário de hoje (28/01/2009) pensam em aumentar os juros ao consumidor, diante de uma expectativa de aumento da inadimplência.
É claro que aumentando os juros, a inadimplência vai aumentar. Aliás, se os bancos não estivessem sustentando tão monumentais recordes de lucros, durante tantos anos, seria até provável que a inadimplência de seus clientes fosse infinitamente menor do que a que tem sido verificada. É um caso típico de transferência unilateral de renda, dos pobres contribuintes para a rede bancária, na usura institucionalizada e até protegida pelo Estado cúmplice. Cúmplice dos banqueiros, cúmplice do Sr. Mercado.
A solução da crise é uma simples questão de matemática e bom senso. Mas passa por reeducar tanto o caprichoso Sr. Mercado quanto às demais autoridades, para verem que lucro menor é melhor do que nenhum, e que ele é muito mais seguro se for distribuído em maior escala, beneficiando o conjunto da população, com a criação de mais sólidos “mercados”... Como diria a minha avó, é muito simples: só falta ver quem é que vai amarrar o guizo no tigre...
Célia Borges

20 de janeiro de 2009

PAISAGISMO E JARDINAGEM – Flores para interiores




O cultivo de plantas em interiores é sempre um desafio, cujas dificuldades crescem na medida em que os espaços são menores e menos providos de luminosidade. Mais difícil ainda quando se dá predileção às flores, já que na maioria das espécies o colorido depende muito da quantidade de luz. Mas, como na natureza nada é impossível, e experiências anteriores mostram resultados animadores, encarar esse desafio pode ser um grande prazer e diversão, para quem quer trazer um pouco de natureza para dentro da sua casa, por menor que ela seja.
Algumas espécies, de tão satisfatoriamente adaptadas, já se transformaram em “cartas marcadas” na decoração de interiores, como o Lírio da Paz (Spathiphyllum cannaefolium), também conhecido popularmente como “antúrio branco”, que apresenta também a variedade gigante (Spathiphyllum wallisii). Alem da exuberante folhagem e das flores brancas e lindas, ele sobrevive bem em locais sombreados, mas precisam, como a maioria dos demais vegetais, de alguma luz, sob o risco de murcharem e melarem definitivamente. Além disso, são típicos do clima tropical e sub-tropical, e sobrevivem à quase tudo, menos ao frio intenso.
Em seguida, entre as mais populares floridas para interior, estão as Violetas Africanas (Saintpaulia ionantha), grande grupo que reúne uma infinidade de hibridas, com variedades de tamanhos, formatos e cores, tanto das folhas, quase sempre aveludadas, quando das flores, que vão do branco ao violeta mais intenso, passando por rosados e vermelhos. Extremamente adaptável, e dotadas de um sistema de reprodução fácil, pelo enraizamento das folhas, elas são um recurso decorativo dos mais acessíveis, apresentando apenas alguns caprichos, como as anteriores, de exigir o máximo de luminosidade indireta, e de não suportar muito frio.
Outra família com grande variedade de formatos e tamanhos de folhas e flores, e com boas possibilidades de adaptação aos ambientes internos, são as Begônias (nome científico e popular), já que a maioria delas prefere a meia-sombra. As espécies originais, muitas nativas do Brasil, outras de outros pontos da América do Sul, apesar de muito resistentes, também não toleram frio. Entretanto, há grande variedade de hibridos produzidos nos EUA e na Europa (especialmente na Holanda) com maiores possibilidades de sobrevivencia em temperaturas mais baixas. É importante observar o tipo a ser cultivado, porque também há begônias que exigem clima tropical e sol pleno.
Antúrios (anthurium andraenunm) também oferecem boas possibilidades, pois além de serem apropriados para meia sombra, existem em dezenas de variedades, obtidas por melhoramentos genéticos, oferecendo folhagens e florações abundantes e exuberantes, dos mais variados tamanhos e cores. Como os Lírios da Paz, podem ser cultivadas em canteiros (maciços) ou em vasos, exigindo sempre um grupo de mudas. É preciso observar se a espécie escolhida é apropriada ao ambiente, já que alguns chegam a crescer mais de um metro de altura. Típicos de clima tropical ou sub, não toleram frio.
Outras plantas floridas apropriadas para ambientes internos são as Gloxínias (Gloxínia sylvatica e outras): as Prímulas, originárias da China, com várias cores e tamanhos: as Petúnias (essas melhores para vasos e jardineiras suspensas, com o máximo de insolação possível); as Campainhas (Sinningea speciosa); os Amores Perfeitos (da família das violetas, violas variadas); e as Quaresmeiras rasteiras (Schizocentrum elegans), mais apropriada para vasos em que possa ficar pendente.
A maioria dessas espécies floridas, apesar de não suportar frio intenso, podem ser cultivadas em locais mais frios, desde que protegidas das temperaturas excessivamente baixas, seja por se manterem janelas fechadas, seja por se adotar algum tipo de aquecimento interno, que as proteja das condições adversas. Como a maioria das minhas referências diz respeito aos climas brasileiros, do sudeste, quem reside em muito frios deve fazer suas próprias pesquisas, em floriculturas e vizinhanças, estudando assim as espécies mais adequadas à sua situação.
Célia Borges

17 de janeiro de 2009

ALDEIA GLOBAL – Será que tem sentido ainda ter esperança?

Há apenas 100 anos, as notícias andavam de navio... e por isso, demoravam tanto a chegar. Nesse último século, o homem se esmerou, através da tecnologia, em transformar a comunicação em tal condição de imediatismo, que foi possível ver a tragédia das Torres Gêmeas de Nova Iorque em tempo real. Sem querer entrar no mérito das vantagens e desvantagens de tanta tecnologia, o que não há como negar é que ela acrescentou muito stress e responsabilidade no dia a dia do cidadão comum.
A crise econômica de 1929 foi devastadora, mas seus efeitos não têm nem como serem comparados com o que pode acontecer na Era da Comunicação Imediata. A imagem que me ocorre sobre a crise dos dias de hoje, é a de uma manada de elefantes descendo ladeira abaixo, sem nenhum controle. Embora, no fundo, a única esperança de controle seja justamente uma tomada de consciência, coletivamente, com força bastante para desarmar essa bomba-relógio que se chama “mercado financeiro”.
Não conheço qualquer raciocínio matemático ou filosófico, que seja capaz de apoiar essa situação de busca irracional e desenfreada pelo lucro. O incrível é que os gênios da economia não tenham visto que uma crise como essa, que se anuncia, tinha que acontecer, mais dia, menos dia. Porque entregar os rumos políticos e sociais do planeta nas mãos do tal chamado mercado financeiro, uma entidade onipresente e onisciente, que só visa o lucro, isso tem sido pura e simplesmente uma questão de irresponsabilidade. Uma irresponsabilidade coletiva, dos dirigentes dos tais paises desenvolvidos, e dos menos desenvolvidos como o nosso também.
O Poder Econômico, definitivamente, tomou conta da nossa Aldeia Global. Os conceitos humanistas que caracterizaram movimentos sociais, políticos e econômicos desde meados do século XIX até a Segunda Guerra Mundial, estão completamente soterrados. O ser humano, o homem, essa criatura social que cada um de nós é, deixou de ser o centro dos objetivos civilizatorios e desenvolvimentistas dos governos, para ser apenas alguma peça, numa engrenagem cujo significado lhe é alheio. Porque visa produzir bens e riquezas, para saciar a insaciável fome por lucros desse fantasma, chamado mercado financeiro.
Se não estivéssemos tão informados e conscientes do que acontece no mundo, provavelmente nosso sono seria muito mais tranqüilo. É claro que temos a opção de não comprar jornais, não ligar a TV, ou, como último recurso, simplesmente não pensar no assunto. Mas isso não vai mudar em nada a realidade, e seja uma tsunami ou uma marolinha, não há dúvidas de que ela vai nos respingar. Ou nos molhar... nos encharcar... e não sabemos até que ponto pode até nos aniquilar, dependendo da situação de cada um, e de quanto vamos estar vulneráveis ao desemprego, à falência, ao empobrecimento.
Entretanto, já que não adianta chorar, e o máximo que podemos fazer no caso é tomar consciência, cada vez mais ativamente, pensar bem à respeito e reagir diante da situação. Por isso, quero propor um raciocínio interessante, inspirada por um desses autores quase anônimos da internet (Neto, diretor de criação e sócio da Bullet) e que foi uma das melhores mensagens que tenho recebido nos últimos tempos.
Não vou transcrever o texto, para não abusar do direito autoral, mas posso mandar o original a quem interessar. Ele fala das imagens de pobreza que estamos acostumados a ver, no noticiário, nos documentários, e até em livros de fotografia de grande sucesso. Fala das ONGs e outros organismos criados para combater a pobreza. “A miséria, pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá, sensibiliza”, diz o texto. E completa: “Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucedem nas nações mais poderosas do planeta. Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo”.
O autor comenta (e eu endosso solidariamente) que mesmo que esse valor tenha sido subestimado, e que fossem necessários, não o dobro, mas o triplo desses recursos, e então precisaríamos de 120 bilhões de dólares para tornar o mundo um lugar mais justo. Para, se não extinguir completamente, pelo menos tornar uma exceção o estado de fome de tantas populações pelo planeta afora. Mas nunca houve um esforço concentrado para isso, nunca os recursos foram suficientes...
Entretanto, “em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potencias, tiraram da cartola 2,2 trilhões de dólares – 700 bi nos EUA e 1,5 tri na Europa – para salvar da fome quem já estava de barriga cheia. Bancos e investidores”, conclui o nosso brilhante blogueiro, e eu sigo na carona.
Não vou nem entrar no mérito do quanto se gasta em guerras, projetos bélicos e produção de armamentos. Talvez também fosse suficiente para acabar com a fome, levar educação, saúde e expectativas para a vida de tantos seres humanos que sobrevivem em condições degradantes.
Mas o que predominantemente se vê pelo mundo são as populações mais pobres sustentando o luxo de seus dirigentes, submissas a todo o tipo de autoritarismo, mercê de interesses econômicos que valorizam o menor dos centavos, em detrimento de uma vida. Porque vidas não valem muito, nesse processo antropófagico, em que o ser humano vai sendo dividido em números, e classificado segundo sua utilidade.
Às vezes penso que seria melhor não ter lido Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley), 1984 (George Orwell) nem Laranja Mecânica (Anthony Burgess). Gente que lê nesse país, está cada vez mais condenada à solidão. E eu, certamente, viveria mais inocentemente, e muito menos assustada!!!
Célia Borges