25 de fevereiro de 2008

O MISTÉRIO E A LENDA DO TIMBURIBÁ

O Timburibá é uma importante referência para quem lê e estuda a história de Resende, porque essa árvore é considerada o símbolo da cidade. Entretanto, dela só temos notícia através da Lenda do Timburibá, página marcante do folclore regional. Do ponto de vista botânico e paisagístico, o Timburibá converteu-se num grande mistério. Depois de quase dois anos de persistente pesquisa, tudo o que me resta é uma pergunta: será que alguém, além da lenda, pode me dar notícias de onde encontro um Timburibá?

O Timburibá ou Timburi: Enterolobium Contortisiliquum

A lenda é de amplo conhecimento. A minha curiosidade sobre o assunto foi despertada por Kátia Quirino, que numa conversa sobre botânica e paisagismo, pediu minha ajuda a respeito. Saí em campo, porque gosto desse tipo de desafio... mas estaria perdida até hoje se não fosse uma dica de outra amiga, e colega do curso de paisagismo, Patrícia Paraguassu, que localizou uma pista através da Fundação Plantarum, que reúne interessantes estudos e publicações sobre o assunto.
Seguindo essa pista, o Timburibá é a mesma árvore classificada sob o ponto de vista botânico como Tiburi. A descrição da planta, que acabei encontrando num volume da enciclopédia 2200 Plantas e Flores (volume 1, pág. 34) sob o nome científico de Enterolobium contortisiliquum, corresponde às características folclóricas, como uma árvore de copa ampla e frondosa, que proporciona ótima sombra e, segundo eles, costuma ser cultivada em parques, atingindo até 35 metros de altura.
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Será que alguém, além da lenda, pode me dar
notícia de onde encontro um Timburibá?
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Do ponto de vista histórico, fui consultar primeiro a professora Alda Bernardes de Faria e Silva, presidente da Academia Itatiaiense de História, e que é a minha fonte prioritária quando se trata de história da região. Segundo ela, haveria ainda um exemplar no Alto dos Passos, nas proximidades do cemitério. Mas meus conhecimentos de botânica são insuficientes para reconhecer à olho nu, uma espécie aparentemente tão rara. Bem que eu pedi ajuda aos meus guias históricos da cidade, como o mestre Claudionor Rosa, para empreender uma espécie de caça ao Timburibá tido como remanescente, mas sem sucesso...
Em seqüência dessa pesquisa, acabei localizando um texto do Cel. Cláudio Moreira Bento, outro incansável pesquisador da nossa história, segundo quem Timburibá era o nome que os índios Puris davam à região onde se encontra Resende, por avistarem à longa distância a árvore desse nome, situada (novamente) no Alto dos Passos. Mas segundo ele, “a árvore serviu por longos anos como atração turística local, e reuniu em torno dela resendenses em festas familiares domingueiras, até tombar com o peso dos anos, para grande tristeza das primeiras gerações de resendenses”.
Lido assim, parece que o Timburibá se extinguiu? E é mesmo uma figura rara nos estudos botânicos, o que parece confirmar essa tese. Mas é difícil crer que não existissem outros timburibás na região... ou que a árvore não tenha existido em outros lugares. Em São Paulo, capital, existe uma rua Timburibá. No Paraná existe um município chamado Timburi. Encontrei referências botânicas contraditórias, pois parecem se referir à outra planta.
O caso é que eu não sou de desistir fácil, e esse trabalho de detetive botânica é, sem dúvida, desafiante. Será que não existe mais nem um Timburibá que se possa localizar? Vou continuar procurando. Conto com a ajuda dos amigos, leitores e demais apaixonados pela natureza como eu... porque não acho justo se perder um símbolo histórico como esse, apenas por falta de interesse.
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Quem tiver notícias de um Timburibá, mande pra mim, por favor (clique em "comentários" aí em baixo)... Quem não conhece a lenda e ficar curioso, é fácil encontrá-la pela internet, assim como em diversos livros históricos da região. Em último caso, mande recado com endereço, que terei o maior prazer em enviar.
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Saudações histórico-botânicas

Célia Borges

3 comentários:

Marco Esch disse...

Olá menina... parabéns pela coluna e matérias! Bjão do amigo Marco Esch.

Antonio de Santana disse...

Cara Célia,
Desde ontém e a muito já havia lido vosso texto, sai a perguntar a amigos sobre a árvore, e não foi muito fácil, mas há sementes e mudas disponíveis.E oportunamente em homenagem aos 100 anos do Resende Futebol Clube, abro uma campanha para que sejam plantadas no mínimo 100 mudas, e resgatando um pouco da cidadania resendense.
Um abraço.
Antonio de Santana.

Anônimo disse...

Procurei por Timburibá no google e achei seu texto.
Tenho o sobrenome Timburibá, vindo do meu pai.
A informação que tenho é que era uma tribo indigena que habitou o vale do São Francisco em Minas Gerais.
Tens outras informações?
Meu email: marcelotimburiba@yahoo.com.br